

O consórcio político gigantesco que sustenta o projeto em andamento no Ceará, a partir do Palácio da Abolição, não é uma obra-prima. Mas é o que de melhor as forças do poder estadual conseguiram construir.
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Herdeiro de bônus e ônus dos governos Cid Gomes (PSB) e Camilo Santana (PT), Elmano de Freitas (PT) administra não somente os avanços – educação e cobertura social, por exemplo.
Também foi entregue ao petista o desafio de se equilibrar entre graves gargalos – segurança pública, saúde e dívida pública, entre outros.
Entre palacianos, é clara a percepção de que Elmano deve ser visto na perspectiva das últimas duas décadas de sucessivos governos – corria o ano de 2006 quando Cid foi eleito governador pela primeira vez.
É esse conjunto da obra que irá à campanha eleitoral, no ano que vem. É essa a questão de fundo que atuará como uma das diretrizes eleitorais. É o que está posto.
O dever de casa está sendo feito. Elmano tem em torno de si a quase totalidade dos prefeitos municipais; tem base sólida na Assembleia Legislativa; o governo se comunica bem.
Com a gestão na mão em um estado pobre, de muitas dependências internas, como o Ceará, os governistas não precisam inventar a roda. Basta não errar muito. Mantida a lógica, Elmano, até aqui, é favorito nas eleições do ano que vem.
Oposição ainda não tem nome – muito menos projeto

O ex-governador Ciro Gomes (ainda no PDT) apresentou-se a membros da oposição como provável candidato ao Abolição.
Mas ainda não tem nada certo. Até porque existe um timing para decisões definitivas. E nem seria a sequência estratégica.
Debater e diagnosticar devem vir primeiro. Em seguida, a apresentação de um projeto alternativo ao que está em curso.
Por fim, a escolha do nome que irá representar a plataforma política.
Esse planejamento não está ocorrendo. A oposição ainda está sem nome e projeto.
Sobre ciclos de poder
Grupo político nenhum quer deixar o poder. Mas os ciclos sempre se fecham.
Cabe aos líderes de momento tentar adiar o declínio, numa incessante luta contra o tempo. Não é fácil.
Às vezes chega a ser inglório buscar força e criatividade para vencer a fadiga.
Em 2026, isso pode entrar em campo.
O resultado nas urnas vai dizer muito da forma como a oposição vai trabalhar isso.
Por falar em tempo, no Ceará há uma tese, segundo a qual ciclos políticos duram, em média, 20 anos.
Vira e mexe, opositores se alimentam dessa ideia.
Somente isso, no entanto, é miseravelmente insuficiente.
Efeito Tarcísio
Os 48,4% de Tarcísio de Freitas (Republicanos) contra 46,6% de Lula, num eventual segundo turno, em 2026 (by Atlas/Intel), acendeu o alerta no Palácio do Planalto.
Os índices foram precificados pelo mercado financeiro. Dólar fechou em forte alta nesta quinta.
O efeito Tarcísio acontece quando Bolsonaro caminha para o matadouro.
Vejam os sinais. Liguem os pontos.
Follow the money
O nível de sofisticação com que o PCC age no mundo dos negócios, inclusive e, principalmente, financeiro, é de embasbacar.
Também surpreende o tamanho do bilionário conglomerado, que começou a ser desbaratado, funcionando à luz do dia, no coração econômico do País, debaixo das narinas das autoridades brasileiras.
Onde estava o “follow the money” todo esse tempo? Vexame alheio.
Legislando em causa própria

O poder tem forte vocação ao abuso. Tanto que os poderosos sempre tendem a abusar, como espécie de pré-requisitos para serem reconhecidos com tais.
Tudo isso para dizer que o Congresso Nacional, que há duas ou três legislaturas era patinho feio entre os Três Poderes, hoje força a barra quando tenta passar na cara do povo brasileiro o famigerado “Pacote da Impunidade”.
De forma resumida, a PEC das Prerrogativas – nome oficial –, prevê uma série de entraves para abertura, julgamento e execução de processos contra parlamentares.
Se passar, ficará quase impossível a lei alcançá-los.
Noutro ponto, a mudança do foro privilegiado pode, no limite, retirar a ação penal da tentativa de golpe de Estado, contra Bolsonaro, das mãos de Alexandre de Moraes (STF).