
Quando penso na participação da mulher na política, penso no impacto dos resultados sobre a vida das pessoas. Uma escolha sobre o orçamento público pode repercutir no atendimento de um hospital, na estrutura de uma escola ou no transporte de quem sai cedo para trabalhar. Participar dessas escolhas significa discutir prioridades, apresentar propostas e acompanhar seus resultados.
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Entendo que nós, mulheres, temos um senso crítico diferente, pois enxergamos dec forma holistica a necessidade de uma população e precisamos, de fato, ter condições efetivas de participar dessas decisões.
Temos experiências na assistência à saúde, na administração, no ensino, na pesquisa e em tantas outras atividades. Essa diversidade é fundamental para a representação política.
Tenho escrito sobre essas questões, presentes no dia a dia dos serviços de saúde. Ao abordar o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, o CNES, discuti como as informações cadastrais que influenciam o planejamento e o funcionamento de clínicas e hospitais. O que parece apenas burocracia tem consequências para o atendimento de quem precisa de cuidado.
Quando tratei da doença renal, voltei minha atenção à prevenção e ao acompanhamento dos pacientes. Também escrevi sobre o desgaste dos trabalhadores da saúde, a remuneração e as condições de trabalho, principalmente para a equipe de Enfermagem.
Procurei observar essas questões considerando quem precisa do serviço, quem presta assistência e quem participa de sua organização.
Vejo na experiência profissional uma contribuição para o debate público. A vivência na assistência permite conhecer aspectos do atendimento que nem sempre aparecem nos relatórios. A auditoria e a gestão acrescentam conhecimentos sobre processos, registros e aplicação de recursos.
Considero necessário colocar esses conhecimentos em diálogo com os dados, com outras especialidades e, sobretudo, com as necessidades apresentadas pela população.
Também entendo que uma trajetória profissional é um dos elementos que precisam ser examinados quando se discute representação política. Propostas, transparência, disposição para ouvir e responsabilidade pelas decisões devem fazer parte dessa avaliação.
É assim que compreendo a força da mulher na política: na possibilidade de participar com autonomia, senso crítico, apresentar ideias, questionar prioridades e responder por sua atuação. Quero ver nossas experiências consideradas nas discussões que afetam a sociedade, com espaço para concordar, divergir e contribuir.
Para mim, participar das decisões públicas é assumir responsabilidade pelo que acontece depois delas. É acompanhar como cada escolha repercute na vida de quem depende de um serviço, de uma oportunidade ou de um direito.


