Skip to content
PODER NEWS – Conteúdo que informa; opinião que transforma

PODER NEWS – Conteúdo que informa; opinião que transforma

O Portal Poder News é uma plataforma digital dedicada a conteúdos jornalísticos que impactam a dinâmica política e os desdobramentos ecômicos. O time de profissionais e trainees acompanha de perto os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Sustentabilidade, inovação e empreendedorismo também são pautas do Portal Poder News – assim como cultura, educação e bem-estar -, entre várias outras áreas.

banner-eleições-2026

Primary Menu
  • ELEIÇÕES 2026
    • SEGUNDO TURNO
    • CAMPANHA
    • O BRASIL VAI ÀS URNAS
    • DE OLHO NO VOTO
    • ARTICULAÇÃO POLÍTICA
    • PRÉ-CAMPANHA
    • PESQUISA ELEITORAL
    • PARTIDO POLÍTICO
    • JUSTIÇA ELEITORAL
    • TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL
    • TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL
    • DESTAQUE
    • DEBATES
    • PROPOSTAS
  • ANÁLISE E OPINIÃO
    • COLUNA
      • ERIVALDO CARVALHO
    • ARTIGO
    • ENTREVISTA
      • TRÊS PERGUNTAS PARA…
    • EDITORIAL
  • POLÍTICA E GESTÃO
    • EXECUTIVO
      • GOVERNO FEDERAL
      • GOVERNO DO ESTADO
      • PREFEITURA MUNICIPAL
    • LEGISLATIVO
      • SENADO FEDERAL
      • CÂMARA DOS DEPUTADOS
      • ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
      • CÂMARA MUNICIPAL
    • JUDICIÁRIO
      • SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
      • SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
      • TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO
      • SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR
      • TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO
      • DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO
      • MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
      • TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL
      • TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO
      • TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO
      • TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO
      • MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL
      • DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO
    • DEMOCRACIA
    • CIDADANIA
    • DIREITOS HUMANOS
    • GEOPOLÍTICA
    • INTERNACIONAL
    • MÍDIA
  • MAIS CONTEÚDOS
    • SAÚDE
    • EDUCAÇÃO
    • ESPORTE
      • COPA DO MUNDO
    • CIÊNCIA
    • BEM-ESTAR
      • ATIVIDADE FÍSICA
      • DIETAS
      • RECEITAS
    • SOCIEDADE
      • CELEBRIDADES
      • GENTE E ESTILO
      • REDES SOCIAIS
      • LUTO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
    • CONTEÚDO DE MARCA
      • EVENTO
      • INAUGURAÇÃO
      • LANÇAMENTO
      • PROMOÇÃO
    • SUSTENTABILIDADE
      • ENERGIAS RENOVÁVEIS
      • INOVAÇÃO
      • EDUCAÇÃO AMBIENTAL
      • RESPONSABILIDADE SOCIAL
      • ESG
    • MERCADO
    • IMÓVEIS
    • VEÍCULOS
    • AGRONEGÓCIO
    • INDÚSTRIA
    • COMÉRCIO
    • SERVIÇOS
    • EXPORTAÇÃO
    • EMPREENDEDORISMO
    • TRIBUTOS
    • INDICADORES
    • TURISMO
    • TECNOLOGIA
  • QUEM SOMOS
  • CULTURA E ENTRETENIMENTO
    • MÚSICA
    • CINEMA
    • LITERATURA
    • TEATRO
    • FOTOGRAFIA
    • ESTREIA
    • EVENTO
  • ARTIGO

Na Hungria, tudo foi feito dentro da lei

Redação 8 de outubro de 2026
Rodrigo Martiniano Ayres Lins é doutorando em Direito Constitucional e Teoria Política; professor da Universidade Christus / Foto: Divulgação

Por Rodrigo Martiniano

As democracias contemporâneas raramente terminam com tanques nas ruas. O caminho mais frequente passa pelas urnas e pelas leis, com um governo eleito que, dispondo de votos suficientes no Parlamento, reescreve as regras que o limitam e ocupa as instituições encarregadas de fiscalizá-lo, sempre em nome de um suposto interesse público.

Siga o PODER NEWS no Instagram

Assim ocorreu na Hungria, que até 2010 era uma democracia que parecia consolidada. Vivia em regime democrático desde 1990, havia alternado cinco vezes o poder por eleições entre centro-esquerda e centro-direita e integrava a União Europeia desde 2004, com partidos competitivos, sociedade civil ativa e imprensa plural.

Naquele ano, Viktor Orbán, líder do Fidesz, partido de direita populista, voltou ao poder com a pauta de moralização, de combate à corrupção. Ele já havia sido primeiro-ministro entre 1998 e 2002, perdera a eleição seguinte e passara os anos na oposição, período em que converteu o partido ao nacionalismo e ao conservadorismo religioso.

Seu retorno se deu com uma vitória esmagadora, que deu ao Fidesz dois terços das cadeiras do Parlamento, número que lhe dava condições de emendar a Constituição sem precisar do voto de nenhum adversário.

Com essa maioria, o governo deixou de ser apenas um jogador dentro das regras e passou a poder reescrevê-las. No ano seguinte, alegando que tribunais e órgãos de fiscalização haviam sido capturados por um suposto “Estado profundo”, aprovou uma nova lei fundamental, que é o nome húngaro da Constituição, removeu controles ao poder do primeiro-ministro, ampliou o Tribunal Constitucional, corte de papel semelhante ao do nosso Supremo e o preencheu com aliados.

As regras de nomeação foram mudadas para que o partido indicasse sozinho os novos juízes. Os dirigentes da Procuradoria-Geral, que acusa criminalmente, e do Tribunal de Contas, que fiscaliza o dinheiro público, foram substituídos por partidários.

A comissão eleitoral, lá não há um Tribunal Eleitoral, recebeu composição leal ao governo e as reclamações eleitorais passaram a ser rejeitadas por razões formais.

Em 2012, os aliados do governo ocupavam todas as posições de controle do Estado, do Tribunal Constitucional ao Ministério Público e ao banco central. Os Poderes passaram, desde então, a conviver em notável harmonia com Orbán.

A imprensa, a propósito, foi alcançada sem que se fechasse um único jornal por decreto. O governo politizou a mídia estatal, favoreceu a compra de veículos privados por empresários aliados e distribuiu a publicidade oficial de modo seletivo, de maneira que anunciantes temerosos abandonaram as emissoras de oposição e o fim de jornais independentes pôde ser apresentado como simples efeito do mercado.

Em 2018, os aliados do governo controlavam mais de quinhentos veículos, de modo que a liberdade de imprensa permaneceu intacta no papel e o cidadão podia informar-se à vontade, desde que escolhesse entre os quinhentos.

As regras eleitorais completaram a obra, com distritos redesenhados em favor do partido, extinção do segundo turno nas eleições parlamentares e proibição de propaganda eleitoral em emissoras privadas. Em 2014, o partido de Orbán conservou os dois terços das cadeiras mesmo com a queda de sua votação de 53% para 45%, e a aritmética mostrou, uma vez mais, que sabe ser generosa com quem a escreve.

Cada passo teve forma de lei e justificativa de interesse público. As medidas foram apresentadas como esforço para tornar o Judiciário mais eficiente, combater a corrupção ou limpar o processo eleitoral. O interesse real, contudo, era que Orbán tivesse um escudo contra o controle de seus atos e uma arma para aplicar a lei de modo seletivo.

Em 2010, os húngaros entregaram o poder a Orbán esperando um governo mais limpo, pois a denúncia da corrupção dos adversários era o centro de seu discurso. Reelegeram-no em 2014, 2018 e 2022, em disputas já inclinadas em seu favor, quando o tribunal, a procuradoria, os órgãos de fiscalização e boa parte da imprensa estavam sob o comando de aliados e quando observadores internacionais já não reconheciam no país uma democracia plena.

O desfecho dessa escolha está medido em números. Em 2025, a Hungria obteve 40 pontos no índice de percepção da corrupção da Transparência Internacional, a pior pontuação e a pior colocação de sua história, o último lugar da União Europeia pelo quarto ano consecutivo, empatada com a Bulgária. Desde 2012, perdeu quinze pontos, a maior queda entre todos os países do bloco.

Quem mais fez do combate à corrupção uma bandeira, na verdade, fez foi chefiar o governo apontado por órgãos internacionais independente como o mais corrupto da União Europeia!!!

A explicação está na engenharia descrita acima. Com a Procuradoria, o Tribunal de Contas e a imprensa sob controle de aliados, o dinheiro público circulou sem que houvesse quem pudesse apurar seu destino. Redes de aliados e familiares do poder passaram a distribuir benefícios e a enriquecer-se com recursos do Estado e a corrupção deixou de ser desvio para tornar-se método de governo.

Em dezembro de 2022, a União Europeia suspendeu 6,3 bilhões de euros destinados ao país, por riscos ao Estado de Direito e fragilidades no combate à corrupção. A Freedom House e o Parlamento Europeu declararam que a Hungria não era mais uma democracia plena.

A defesa da família e da infância também foram pautas do governo Orbán. Mais também era só uma fachada populista. Em fevereiro de 2024, a presidente Katalin Novák concedeu indulto a um homem condenado por colaborar no acobertamento de abusos em um abrigo infantil. O ato, descoberto por acaso, produziu indignação tamanha que Novák encerrou a carreira política, a ex-ministra da Justiça Judit Varga, que contrassinara o indulto, perdeu o cargo, e Zoltán Balog renunciou à chefia da Igreja Reformada por ter intercedido pelo beneficiado.

Péter Magyar, ex-marido de Varga e antigo integrante do círculo governista, reuniu dezenas de milhares de pessoas em março daquele ano e divulgou uma gravação em que Varga teria confirmado que Antal Rogán, chefe do gabinete do primeiro-ministro, interferira indevidamente no trabalho da Procuradoria em um grande caso de corrupção. A suspeita de que a Procuradoria não era tão independente quanto parecia, até então formulada apenas pela oposição, passou a ser enunciada por quem conhecia o sistema por dentro.

Dezesseis anos depois de todos esses escânda-los, em abril de 2026, a oposição liderada por Magyar obteve mais de 53% dos votos contra 40% do Fidesz, em participação recorde, conquistando dois terços das cadeiras.

Os analistas de Foreign Policy, Time e do American Enterprise Institute atribuíram a derrota do governo à estagnação econômica, à deterioração de hospitais e escolas e, com o maior peso moral, à corrupção. O governo caiu, assim, pelo motivo exato que o levara ao poder. A bandeira com que Orbán chegou em 2010 foi a que o eleitor devolveu em 2026, agora apontada para ele. Quem mais bradou contra a corrupção foi quem mais a viu florescer sob seu comando e uma campanha feita de teorias conspiratórias e de medo não convenceu eleitores que já haviam feito a conta.

Foram dezesseis anos até que o eleitor fizesse o que o discurso de 2010 prometia, e o fez contra o próprio autor da promessa.

Os húngaros descobriram tarde que uma democracia reduzida ao cumprimento de ritos pode ser esvaziada por quem domina os ritos. A história, contudo, costuma repetir-se, e raramente o faz nos mesmos países.

Mudam a língua, os nomes e as bandeiras, e permanece o roteiro, com o discurso contra a corrupção que conquista o voto, o tribunal apresentado como inimigo do povo, a maioria que reescreve o que a limita e a promessa tranquilizadora de que tudo será feito dentro da lei.

Quem lê a crônica húngara com a serenidade de quem supõe que o enredo pertence a outros deveria recordar que nenhum povo é avisado de que está lendo o primeiro capítulo.

Por isso, a democracia substancial, aquela em que os tribunais julgam sem consultar o governo, a imprensa fiscaliza sem temer ser sufocada e a oposição disputa em condições reais de vencer, deve sempre prevalecer sobre a regularidade meramente formal dos procedimentos. Uma Constituição respeitada na letra e esvaziada no sentido não protege ninguém.

Artigos assinados por colaboradores não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Poder News

Post navigation

Previous: Danilo Forte declara apoio a Flávio e tenta atrair Ciro
Next: Petistas do Nordeste assumem comando da campanha de Lula no 2º turno
Copyright © All rights reserved. | MoreNews by AF themes.