
O candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, foi sabatinado na noite desta sexta-feira, 16, pela TV Globo.
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Durante entrevista, o senador negou que os atos do 8 de janeiro de 2023 tenham sido uma tentativa de golpe de Estado, defendeu propostas econômicas e de segurança pública e mudou de posicionamento ao se declarar favorável ao fim da escala de trabalho 6×1.
No entanto, declarações do candidato sobre dados ambientais, finanças públicas e processos judiciais divergiram de registros oficiais e de apurações em andamento.
Confrontado sobre o 8 de Janeiro, Flávio classificou como “farsa” a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro.
O candidato minimizou o episódio ao afirmar que a invasão das sedes dos Três Poderes foi promovida por pessoas sem articulação golpista, citando “uma senhora com Bíblia”.
A declaração contrapõe as conclusões do Supremo Tribunal Federal (STF), que baseou as condenações em farta documentação comprovando uso de violência, depredação de patrimônio público, agressão a agentes de segurança e articulação para a derrubada dos Poderes.
No campo das finanças de campanha e relações pessoais, o senador foi questionado sobre o pedido de R$ 130 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso, para financiar o filme Dark Horse.
Flávio sustentou que não houve irregularidade e alegou que a produtora do longa “já prestou contas de tudo”.
Contudo, não há qualquer prestação de contas tornada pública sobre a cinebiografia, que é alvo de apurações da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal para apurar o eventual uso ilícito de verbas públicas e emendas parlamentares.
Na pauta trabalhista, o candidato registrou uma mudança de tom.
Após meses de críticas públicas à proposta que extingue a escala 6×1, Flávio declarou apoio à medida — aprovada nesta semana no Senado — argumentando que ouviu trabalhadores em viagens pelo Brasil. Ele defendeu que o empregado tenha liberdade para definir a própria jornada e prometeu manter os demais direitos trabalhistas.
Na segurança pública, Flávio reforçou a promessa de classificar facções como o Comando Vermelho e o PCC como organizações narcoterroristas e defendeu a flexibilização do acesso a armas por cidadãos.
Por outro lado, evitou detalhar o suporte a projetos que retiram a marcação de cápsulas de munição das forças policiais — medida que especialistas e investigadores apontam como essencial para rastrear desvios.
Sobre aliados políticos investigados por elos com o crime organizado no Rio de Janeiro, o candidato declarou surpresa com as denúncias, defendeu o direito à ampla defesa e afirmou que eventuais culpados devem ser punidos.
As propostas econômicas do candidato também apresentaram contradições com dados técnicos.
Flávio prometeu cortar mais de R$ 200 bilhões da dívida pública com a venda de imóveis da União e projetou arrecadar “R$ 100 bilhões de largada” com a exploração de petróleo na Margem Equatorial.
No entanto, projeções da Petrobras indicam que a extração comercial na região não deve começar antes de 2033.
O candidato defendeu ainda o fim da reeleição presidencial e a extinção de dez ministérios, alegando que a gestão de seu pai promoveu um corte expressivo em cargos comissionados — afirmação desmentida por dados oficiais, que mostram que o número de vagas comissionadas no governo federal subiu de 31,8 mil em 2019 para 46,2 mil ao fim de 2022.
Ao abordar o tema ambiental, Flávio acusou a atual gestão federal de bater recorde em queimadas e afirmou que este mês de outubro registrou o maior índice histórico de fogo na Amazônia.
O dado do candidato não encontra respaldo nos registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que contabilizou 9.544 focos de calor na região até a metade do mês, patamar consideravelmente inferior aos picos da série histórica iniciada em 1989.


