
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira, 9, as sessões decisivas do julgamento que pode levar à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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O processo ocorre em meio a um clima de tensão renovado pelos ataques do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Corte no último domingo, 7.
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, abre os trabalhos às 9h, com a leitura de seu voto no processo contra o núcleo central da tentativa de golpe após as eleições de 2022.
A expectativa é que a manifestação dure todo o dia e seja marcada por uma análise rigorosa das acusações apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR), mesmo diante de pressões políticas e externas.
Durante ato na Avenida Paulista, Tarcísio chamou Moraes de “ditador”, defendeu uma anistia “ampla e irrestrita” e afirmou que o STF julga “um crime que não existiu”, diante de um público estimado em 42 mil pessoas. Ele também cobrou do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a votação do projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
As declarações do governador repercutiram negativamente entre os ministros. O decano do Supremo, Gilmar Mendes, rebateu dizendo que “o que o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe”.
Já o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, ressaltou que o tribunal atua “à luz do dia” e lembrou que a ditadura era marcada por “um mundo de sombras”. Reservadamente, outro ministro afirmou que Tarcísio “queima pontes” ao atacar diretamente Moraes — até então, a relação entre os dois era considerada amistosa.
Após o voto do relator, se manifestarão os demais ministros da Primeira Turma: Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. A avaliação é de que o voto de Fux, visto como mais flexível em relação aos réus, também será longo.


