
Por Sacha Myrna
Durante muito tempo, o mercado imobiliário de luxo foi guiado pelo desejo: metragens amplas, vistas deslumbrantes e acabamentos exuberantes. Hoje, no entanto, o verdadeiro luxo deixou de ser impulso para se tornar estratégia patrimonial.
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O investidor sofisticado não busca apenas beleza, mas estabilidade e relevância no tempo. Pergunta-se menos “quanto custa” e mais “por que continuará sendo desejado quando o ciclo mudar”.
Mesmo com inflação e juros altos, imóveis em endereços absolutos — como Boa Viagem, Jardins e Meireles — mantiveram liquidez e valorização.
A diferença é clara: o luxo autêntico não depende de modismos arquitetônicos nem de marketing agressivo. Ele combina raridade real, escala adequada, arquitetura atemporal e localização incontestável. Liquidez, nesse segmento, não é prêmio — é consequência.
Outro fenômeno crescente é o mercado off-market: transações discretas, sem anúncios ou portais. Os ativos mais cobiçados circulam entre investidores que prezam por discrição, tempo e acesso qualificado.
Nesses bastidores, a curadoria pesa mais que o capital, e quem compra apenas o que está visível, disputa o que sobrou.
O investidor de alto padrão também evoluiu. Busca menos ostentação e mais inteligência patrimonial. Prefere imóveis que combinam eficiência energética, tecnologia integrada e conforto sensorial.
Sustentabilidade, antes discurso, virou critério financeiro. Plantas bem resolvidas e sistemas automatizados preservam valor e reduzem custos, criando ativos sólidos a longo prazo.
No topo do mercado, o endereço é mais que localização — é linguagem de poder. Certos trechos resistem ao tempo e concentram influência e desejo, enquanto outros perdem fôlego diante da saturação.
O investidor experiente sabe que não existe metro quadrado caro em localização incontestável, apenas metro quadrado mal interpretado.
O verdadeiro diferencial está na leitura de contexto. Identificar movimentos antes que se tornem óbvios, reconhecer quando uma região amadureceu e quando já passou do ponto.
No fim, o mercado de luxo continua sendo um dos pilares mais consistentes de preservação patrimonial – mas apenas para quem entende que luxo não é excesso, e sim precisão.
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