
O monumento do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, foi iluminado na noite desta terça-feira, 3, com projeções da campanha “Feminicídio Nunca Mais”. A iniciativa utiliza o futebol como plataforma de mobilização social, aproveitando a visibilidade da Copa do Mundo Feminina da Fifa de 2027, que terá o Brasil como sede.
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O evento reuniu autoridades como a primeira-dama Janja Lula da Silva e a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, além de dirigentes da EBC, Embratur e Petrobras. Para marcar o início da mobilização, o monumento recebeu a cor teal (verde-azulado), símbolo global de solidariedade às sobreviventes de violência doméstica e sexual.
Durante a cerimônia, o reitor do Santuário do Cristo Redentor, Padre Omar Raposo, destacou o simbolismo feminino do monumento. Ele relembrou que a estátua foi inspirada na Princesa Isabel e que os traços das mãos do Cristo foram baseados em modelos femininos, reforçando a conexão histórica do local com o protagonismo das mulheres.
A solenidade também serviu de palco para o lançamento do Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas, a primeira premiação nacional dedicada exclusivamente ao futebol feminino. A iniciativa faz parte de uma estratégia da comunicação pública para ampliar a visibilidade, a legitimidade e o reconhecimento das atletas no país.
Veteranas da seleção brasileira, como a pioneira Rosilane Camargo Mota (conhecida como Fanta 21), participaram do lançamento. Elas destacaram a importância de associar o esporte ao combate à violência, lembrando que o futebol feminino pode fortalecer a luta por direitos e ajudar a transformar normas sociais relacionadas ao gênero.
A campanha é articulada pela organização internacional No More Foundation, que busca promover a equidade de gênero através de sistemas esportivos. Nos próximos dias, a mobilização ganhará escala global com a iluminação de prédios públicos em Nova York, cidade que também sediará jogos do mundial feminino em 2027.
Em seu discurso, a primeira-dama Janja ressaltou que o futebol, por ser uma paixão nacional que atinge todas as classes sociais, é a ferramenta ideal para pautar o combate à misoginia. Ela defendeu que tanto atletas femininas quanto masculinos devem se engajar na mensagem de enfrentamento à violência doméstica.
Dados citados durante o evento reforçam a urgência da pauta: o Brasil registrou o recorde de 1.470 feminicídios no último ano. Diante desse cenário, a campanha prevê a exibição de vídeos de conscientização durante as transmissões esportivas, unindo educação e esporte para prevenir crimes contra mulheres e meninas.

