
Um levantamento inédito do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgado nesta quarta-feira, 4, revela que a violência letal contra as mulheres no Brasil tem cor e endereço.
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Entre 2021 e 2024, 62,6% das vítimas de feminicídio no país eram negras, evidenciando que a desigualdade racial é um fator determinante na vulnerabilidade feminina.
O estudo aponta ainda uma falha crítica na rede de proteção em cidades pequenas.
Metade dos feminicídios ocorre em municípios com até 100 mil habitantes, onde apenas 5% das cidades possuem delegacias especializadas da mulher e somente 3% contam com casas de abrigo para vítimas em risco.
O Perfil da Violência e dos Agressores
Os dados confirmam que o perigo reside maioritariamente dentro de casa.
Cerca de 66% dos crimes aconteceram na residência da vítima, e em 80% dos casos o assassino era o atual companheiro ou um ex-parceiro.
- Faixa Etária: metade das mulheres assassinadas tinha entre 30 e 49 anos, estando no auge da sua idade produtiva e familiar.
- Armas do Crime: o uso de armas brancas (facas e instrumentos domésticos) prevalece em 48% dos casos, seguido por armas de fogo em 25%.
- Autoria Masculina: 97% dos crimes foram cometidos exclusivamente por homens, reforçando padrões de masculinidade tóxica baseados em posse e controlo.
A diretora do FBSP, Samira Bueno, alerta que o feminicídio não é um evento isolado, mas o desfecho de uma escalada de agressões que o Estado falha em interromper.
O Portal Poder News ressalta a necessidade urgente de descentralizar as políticas da Lei Maria da Penha para que o socorro chegue às mulheres que vivem longe das grandes capitais e dos centros de referência.

