
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) afirmou, nesta sexta-feira, 6, que mantém aberta a possibilidade de aliança com o PL no Ceará para as eleições de 2026. Mesmo após as interferências da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o tucano declarou que não desistiu do acordo com a sigla de oposição.
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Durante evento voltado a produtores rurais, Ciro comentou o episódio em que Michelle teria “humilhado” o deputado André Fernandes, presidente estadual do PL. Para o ex-ministro, o recuo temporário da legenda foi apenas um pedido de tempo para pacificar conflitos internos da sigla.
O desgaste entre as lideranças ocorreu em novembro, quando Michelle criticou publicamente as articulações de Fernandes com Ciro. Na ocasião, ela afirmou ser inviável um acordo com quem se opõe ao “maior líder da direita”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em resposta, André Fernandes sustentou na época que as tratativas tinham o aval direto de Jair Bolsonaro. Segundo o deputado cearense, o ex-presidente chegou a conversar com Ciro por telefone ainda no primeiro semestre para autorizar o diálogo político.
Diante do impasse público e da pressão da ala ligada a Michelle, a cúpula do PL realizou uma reunião de emergência que resultou na suspensão oficial das negociações. O partido decidiu, naquele momento, congelar o apoio formal à candidatura de Ciro ao Governo do Ceará.
Apesar da suspensão, sinais de reaproximação têm surgido nos últimos meses. Integrantes do PL marcaram presença em atos recentes do ex-ministro, e anotações do senador Flávio Bolsonaro já indicaram que a aliança no Ceará permanece no radar estratégico da família.
Ciro Gomes reconheceu que as divergências com a família Bolsonaro no cenário nacional podem ser “insuperáveis”, devido ao histórico de embates presidenciais. Ele justificou que suas críticas passadas refletiam o contexto de suas quatro candidaturas ao Planalto.
No entanto, o tucano defendeu que a prioridade atual é a união de toda a oposição cearense. Ciro argumentou que as disputas nacionais devem ser deixadas de lado para focar no que classificou como a missão de “salvar o Ceará” do grupo político que hoje governa o Estado.

