
A disputa por uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) provocou o desembarque do deputado federal Danilo Forte (CE) do União Brasil. O parlamentar oficializou sua desfiliação alegando um “jogo de postergação” por parte da cúpula da sigla, que teria adiado sucessivamente a definição de um nome oficial para concorrer à cadeira destinada à Câmara dos Deputados.
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Em coletiva, Forte classificou a falta de posicionamento do partido como um “constrangimento político”. Segundo o parlamentar, a demora em oficializar sua candidatura favorece articulações governistas dentro da Casa, sugerindo que o vácuo deixado pela legenda beneficia acordos que visam consolidar nomes apoiados pelo Palácio do Planalto.
A saída foi recebida com surpresa pela direção nacional do União Brasil, que afirmou não ter sido comunicada previamente. Nos bastidores, a candidatura do cearense enfrentava resistências e dividia atenções com o nome de Elmar Nascimento (BA). O impasse interno acabou enfraquecendo a sigla na disputa, abrindo espaço para que outras legendas avançassem em negociações paralelas.
Atualmente, o cenário para a vaga no TCU conta com candidatos de diversos blocos, como Odair Cunha (PT-MG), apontado como favorito pela base governista e setores do Centrão. Também figuram na corrida Hélio Lopes (PL-RJ), com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, além de Hugo Leal (PSD-RJ) e Altineu Côrtes (PL-RJ).
Articulações parlamentares indicam que a força de Odair Cunha deriva de um compromisso firmado ainda em 2024, durante a sucessão da presidência da Câmara. O acordo envolveria o apoio do atual presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao candidato petista, embora o movimento não conte com o consenso de todos os partidos da base.
O processo de escolha de ministros do TCU segue ritos constitucionais rigorosos. Das nove cadeiras do tribunal, seis são indicadas pelo Congresso Nacional e três pelo Presidente da República. Os postulantes devem ter entre 35 e 70 anos, reputação ilibada e notório conhecimento técnico em áreas como direito, economia, administração pública ou contabilidade.
O cargo é altamente cobiçado devido à estabilidade e ao poder de fiscalização sobre as contas públicas e grandes contratos federais. Especialistas apontam que a escolha de um ministro pelo Legislativo reflete o equilíbrio de forças no presidencialismo de aliança, tornando a vaga um indicador central das relações de poder e influência no Congresso.
Ainda sem data definida para a votação em plenário, o presidente da Câmara deve apresentar um cronograma para o processo de eleição interna. Enquanto isso, Danilo Forte avalia convites de novas legendas, afirmando que sua futura filiação priorizará o cenário político no Ceará, sem descartar a manutenção de sua candidatura ao tribunal por outra sigla.

