
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou, nesta terça-feira,10, a celebração de um acordo com seus principais credores para a implementação de um plano de recuperação extrajudicial. A medida visa renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas, buscando uma reorganização financeira rápido e fora dos trâmites mais complexos de uma recuperação judicial comum.
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Diferente do processo judicial, a recuperação extrajudicial permite que a companhia simule débitos diretamente com os credores para obter melhores prazos e condições de pagamento. A estratégia tem como foco evitar a falência e garantir que a estrutura de capital da varejista seja estabilizada sem interromper o fluxo das atividades comerciais.
O plano possui efeito imediato e estabelece um prazo inicial de 90 dias para as negociações. O GPA ressaltou que obrigações com fornecedores, parceiros comerciais e compromissos trabalhistas não foram incluídos no processo, o que assegura que todas as 728 lojas das bandeiras Pão de Açúcar, Extra e Minuto sigam operando normalmente.
A crise enfrentada pelo grupo é resultado de uma combinação de fatores econômicos, como a inflação de alimentos e os juros elevados, que encareceram o serviço da dívida nos últimos anos. Somam-se a isso os custos gerados por reestruturações internas, disputas fiscais e o reconhecimento de prejuízos em unidades com baixo rendimento.
No final de fevereiro, a companhia já havia alertado o mercado sobre incertezas quanto à sua continuidade operacional após registrar um déficit de caixa de R$ 1,2 bilhão no encerramento de 2025. Naquele momento, o montante de contas a pagar superava a disponibilidade imediata de recursos, pressionando a liquidez de curto prazo.
O cenário atual coincide com mudanças profundas no controle da empresa. O Grupo Coelho Diniz tornou-se o principal acionista com 24,6%, enquanto o grupo francês Casino reduziu sua participação. Recentemente, a gestão passou a ser comandada pelo diretor-presidente Alexandre de Jesus Santoro, em uma tentativa de renovar a governança da varejista.
Em termos financeiros, o GPA encerrou o exercício de 2025 com prejuízo líquido de R$ 651 milhões e uma dívida bruta total de R$ 4 bilhões. Apesar dos números negativos no balanço, as ações da companhia (PCAR3) registram uma valorização de 9,64% no acumulado dos últimos 12 meses na Bolsa de Valores.
O plano de recuperação já obteve o apoio de credores que detêm 46% da dívida envolvida, percentual superior ao mínimo exigido por lei para iniciar o protocolo. Com a aprovação unânime do conselho de administração, a empresa espera suspender pagamentos temporariamente para fortalecer seu caixa e assegurar a viabilidade do negócio a longo prazo.

