
O Brasil busca estreitar parcerias com países europeus para a exploração de minerais críticos e terras raras, elementos essenciais para a transição energética global. Segundo o embaixador brasileiro na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, o objetivo é superar o modelo tradicional de exportação de matéria-prima bruta, atraindo transferência de tecnologia para que o país agregue valor à sua produção industrial.
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A estratégia terá como vitrine a Hannover Messe, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, que ocorre no fim de abril na Alemanha. Com o Brasil como país parceiro nesta edição, cerca de 140 expositores nacionais apresentarão inovações tecnológicas e discutirão o potencial brasileiro em minerais estratégicos, como lítio, níquel e nióbio.
Atualmente, o Brasil detém algumas das maiores reservas minerais do planeta, concentrando 94% do nióbio, 26% da grafita e 23% das terras raras mundiais. Apesar do enorme potencial, o país ainda busca se consolidar como um grande player no refino desses materiais, que são fundamentais para a fabricação de turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos aeroespaciais.
A aproximação com a Europa ocorre em um momento decisivo para o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia. Recentemente aprovado pelo Senado brasileiro, o tratado caminha para a implementação provisória pela Comissão Europeia, apesar de resistências pontuais de países como a França. O acordo prevê a eliminação de tarifas sobre a grande maioria dos bens comercializados entre os dois blocos.
Diplomatas e especialistas veem o tratado como uma mensagem clara contra o protecionismo, especialmente diante do cenário de instabilidade comercial gerado por novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos. Para o Brasil, o fortalecimento do multilateralismo com a Europa representa uma oportunidade de diversificar mercados e garantir investimentos seguros.
A Alemanha, especificamente, destaca-se como um parceiro estratégico, possuindo mais de mil empresas operando em território brasileiro e um estoque de investimento direto de 40 bilhões de euros. Durante a feira em Hannover, está previsto um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler alemão Friedrich Merz para consolidar essa cooperação bilateral.
Além da oferta de recursos naturais, o governo brasileiro aposta na estabilidade regulatória e na matriz energética limpa para atrair indústrias alemãs. O fortalecimento dessa relação busca equilibrar a balança comercial entre os dois países, que em 2025 registrou uma corrente de comércio de US$ 20,9 bilhões, mas ainda com déficit para o lado brasileiro.

