
A Raízen protocolou, nesta quarta-feira, 11, um pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar aproximadamente R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras sem garantia real. O plano já conta com a adesão de credores que representam mais de 47% desse montante, sinalizando uma disposição inicial do mercado para renegociar prazos e condições de pagamento.
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Diferente da recuperação judicial comum, a modalidade extrajudicial permite que a empresa resolva pendências diretamente com seus credores antes de levar o acordo para homologação na Justiça. O objetivo central da gigante do setor energético é evitar o agravamento da crise financeira e garantir fôlego ao caixa, sem interromper suas atividades cotidianas.
Criada em 2011 a partir de uma joint venture entre a Cosan e a Shell, a Raízen consolidou-se como a maior produtora mundial de etanol de cana-de-açúcar. Atualmente, a companhia possui uma estrutura sólida, com mais de 46 mil funcionários e a gestão de 1,3 milhão de hectares cultivados, além de operar a rede de postos da marca Shell no Brasil, Argentina e Paraguai.
O desequilíbrio financeiro é reflexo de uma estratégia agressiva de expansão iniciada em 2016. A empresa investiu pesadamente em projetos de longo prazo voltados à transição energética, como o etanol de segunda geração (E2G) e biogás. No entanto, o retorno dessas iniciativas demorou mais que o previsto, enquanto o setor enfrentava a concorrência crescente do etanol de milho.
Além dos desafios operacionais, fatores externos e movimentos na holding Cosan pressionaram os resultados. A empresa viu seu endividamento saltar de R$ 13,8 bilhões no ciclo 2021/2022 para R$ 55,3 bilhões em 2025. No período mais recente, a Raízen acumulou um prejuízo de R$ 15,6 bilhões, impactado significativamente por ajustes contábeis.
A estratégia para reverter o cenário envolve o retorno ao “core business”, focando na produção tradicional de açúcar e etanol e na distribuição de combustíveis. A companhia já iniciou a venda de ativos não estratégicos e busca simplificar sua estrutura para reduzir o peso dos juros sobre a geração de caixa.
Juridicamente, a Raízen possui agora um prazo de 90 dias para reunir as assinaturas necessárias e validar o plano junto ao Judiciário. Durante esse intervalo, as negociações com os demais credores incluídos no processo continuarão, visando atingir o quórum legal para que o acordo se torne obrigatório a todos os envolvidos.
Em nota oficial, a Raízen assegurou que o pedido é estritamente financeiro e não afeta fornecedores, clientes ou funcionários. A empresa reiterou que todas as operações seguem mantidas e que o fornecimento de combustíveis e a produção nas usinas não sofrerão impactos durante o período de reorganização da estrutura de capital.

