
A Polícia Federal (PF) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o relatório final das investigações contra o deputado federal Junior Mano (PSB-CE) e o ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz.
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A dupla é apontada como líder de um esquema de desvio de emendas parlamentares e fraudes licitatórias para financiar campanhas e obter enriquecimento ilícito.
Em nota, a defesa de Junior Mano classificou as conclusões da PF como “exageradas, genéricas e sem provas”, afirmando que o parlamentar não ordena despesas.
Já a assessoria jurídica de Bebeto Queiroz informou que todas as manifestações sobre o caso serão feitas exclusivamente nos autos do processo.
Segundo o relatório, o esquema operava com a negociação de emendas federais que geravam propinas de 12% a 15%.
Além disso, empresas controladas pelo grupo simulavam concorrência em licitações municipais para garantir o domínio sobre recursos públicos, que eram desviados mediante fraudes na execução de obras.
Para movimentar o capital sem atrair a atenção de órgãos de controle, a organização utilizava um sistema de lavagem de dinheiro com “laranjas” e empresas de fachada.
O dinheiro era então reinvestido na compra de votos, com valores entre R$ 200 e R$ 500 por eleitor, além da distribuição de materiais de construção.
O gabinete do parlamentar realizava um monitoramento rigoroso de 71 municípios cearenses por meio de planilhas detalhadas.
A investigação também aponta o suborno sistemático de radialistas e jornalistas para silenciar críticas e o uso da estrutura pública para atacar adversários políticos sob comando de Junior Mano.
A PF identificou ainda tentativas de ingerência na Caixa Econômica Federal para a nomeação de aliados, visando facilitar a liberação de verbas federais.
Em cidades como Choró, o controle era absoluto, com tesoureiros da prefeitura submetendo movimentações financeiras à autorização prévia de Bebeto Queiroz.
As atividades ilícitas tinham como epicentro as cidades de Canindé, Choró e Nova Russas, esta última, base política do deputado e administrada por sua esposa, a prefeita Giordanna Mano.
O relatório lista dezenas de outros municípios onde o grupo operava para capturar orçamentos públicos.
O objetivo final do esquema, de acordo com a Polícia Federal, era garantir um sólido “recall de votos” para manter a hegemonia política do grupo em pleitos estaduais e federais.
O relatório detalha a vasta capilaridade territorial da rede, que alcançava desde grandes centros como Caucaia e Maracanaú até pequenas cidades do interior.

