
O figurino de época é um dos pilares de “O Agente Secreto”, filme brasileiro que concorre em quatro categorias no Oscar neste domingo, 15.
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Assinado por Rita Azevedo, o trabalho recria o Recife de 1977 por meio de uma pesquisa que uniu acervos públicos, reportagens históricas e memórias afetivas da própria figurinista.
Esta é a terceira colaboração entre Rita e o diretor Kleber Mendonça Filho, parceria iniciada em “Aquarius” (2015).
Para o novo longa, a equipe dedicou oito semanas à preparação, buscando traduzir visualmente o imaginário do cineasta e a atmosfera urbana da capital pernambucana na década de 1970.
Uma das principais inspirações veio do álbum de família de Rita. O estilo do protagonista, interpretado por Wagner Moura, foi baseado no guarda-roupa do pai da figurinista, que também era engenheiro na época.
O resgate fotográfico ajudou a moldar não apenas as vestimentas, mas também expressões corporais do ator.
Ao todo, 50 personagens e centenas de figurantes foram caracterizados.
A composição levou em conta as distinções de classe social e o rigor climático do Recife, resultando em peças marcadas por modelagens boca de sino, shorts curtos e camisas de botões entreabertas.
A logística de produção movimentou quase três mil peças de vestuário.
Cerca de 70% do acervo foi alugado de depósitos especializados em cinema de época, enquanto o restante foi confeccionado por costureiras locais, que realizaram ajustes em tempo real durante as filmagens.
Um dos maiores desafios técnicos foi a cena de carnaval de rua, que envolveu cerca de 300 figurantes simultaneamente.
O esforço coletivo garantiu a imersão histórica necessária para uma das sequências mais complexas da obra, que retrata a efervescência cultural do período.
O impacto do figurino extrapolou as telas com a blusa da Pitombeira, tradicional bloco de Olinda.
A peça tornou-se um fenômeno de consumo no Recife, gerando filas de espera e versões falsificadas por camelôs, o que Rita Azevedo descreve como uma demonstração da potência cultural do filme.
Às vésperas da cerimônia no Dolby Theatre, em Los Angeles, a figurinista celebra o reconhecimento global da produção.
Para Rita, a presença de “O Agente Secreto” no Oscar coroa um processo minucioso de valorização da identidade visual e da história brasileira no cinema.

