
O ator e dramaturgo Juca de Oliveira morreu aos 91 anos, na madrugada deste sábado, 21, em São Paulo.
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Reconhecido como um dos maiores nomes das artes cênicas brasileiras, o artista estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês desde o último dia 13 de março.
A causa do óbito foi um quadro de pneumonia associado a uma condição cardiológica delicada.
Em nota oficial, a família confirmou o falecimento e agradeceu as manifestações de solidariedade, destacando a trajetória sólida e admirada que Juca construiu no teatro, na televisão e no cinema ao longo de sete décadas de carreira.
Nascido em São Roque (SP) em 1935, Juca de Oliveira abandonou a faculdade de Direito na USP para se dedicar à Escola de Arte Dramática.
Sua caminhada profissional começou nos anos 1950 no prestigiado Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), onde contracenou com ícones como Aracy Balabanian em montagens de clássicos como “A Morte do Caixeiro Viajante”.
Na televisão, seu papel de maior impacto popular foi o médico geneticista Dr. Albieri, na novela “O Clone” (2001).
Na trama de Glória Perez, seu personagem desafiou a ética científica para criar o primeiro clone humano, em uma interpretação que o próprio ator descrevia como um dos momentos mais complexos e emocionantes de sua trajetória.
A vida de Juca também foi marcada pelo engajamento político e pela resistência.
Nos anos 1960, ele foi um dos sócios do lendário Teatro de Arena, marco da cultura brasileira.
Devido à sua militância e à censura imposta pela ditadura militar, o ator foi perseguido pelo regime e chegou a se exilar na Bolívia após o fechamento do teatro.
Após o retorno ao Brasil, consolidou-se como um dos pilares da teledramaturgia nacional.
Estreou na TV Globo em 1973 e acumulou participações em mais de 30 novelas e minisséries, incluindo sucessos como “Fera Ferida”, “Torre de Babel” e “Avenida Brasil”, além de passagens marcantes pelas TVs Tupi, Bandeirantes e SBT.
Seu último trabalho na televisão foi na novela “O Outro Lado do Paraíso”, em 2018.
Nos últimos anos, Juca de Oliveira dividia seu tempo entre a paixão pelo teatro, sua base artística primordial, onde atuou em mais de 60 peças, e os cuidados com sua fazenda de gado, mantendo-se produtivo também como autor teatral.
O velório do artista acontece neste sábado, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, em São Paulo.
A cerimônia será realizada das 15h às 21h e, por decisão da família, será restrita a amigos próximos e familiares, marcando a despedida de um dos intérpretes mais respeitados da história do país.

