
A Petrobras confirmou a reativação da usina de biodiesel de Quixadá, no sertão central do Ceará.
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Desativada desde 2016, a unidade deve retomar suas operações para impulsionar a economia regional e fortalecer a segurança energética do estado.
O anúncio foi feito pela presidente da companhia, Magda Chambriard, sinalizando uma mudança na estratégia da subsidiária Petrobras Biocombustível S.A. (PBio).
Apesar da confirmação, a estatal ressaltou que ainda conduz estudos técnicos detalhados para definir o cronograma de retomada.
Detalhes sobre o volume de investimentos necessários, a capacidade produtiva total e a estimativa de novos postos de trabalho serão divulgados conforme o projeto avançar nas etapas internas de planejamento.
A reabertura ocorre em um cenário de volatilidade no mercado internacional de petróleo, pressionado por conflitos geopolíticos no Oriente Médio.
De acordo com especialistas, a produção local de biodiesel reduz a dependência de importações de outros estados, o que pode ajudar a estabilizar os preços do diesel B (a mistura vendida nos postos) para o consumidor final cearense.
O engenheiro de petróleo Ricardo Pinheiro destaca que a unidade trará ganhos diretos para setores estratégicos, como o transporte e a agricultura.
Atualmente, o Ceará precisa trazer o biocombustível de longas distâncias, o que encarece a logística.
Com a produção interna, o estado ganha autonomia e uma alternativa viável ao diesel de origem fóssil.
No campo, o impacto deve ser sentido através do estímulo ao cultivo de oleaginosas, como a mamona e a macaúba.
A retomada da usina abre um novo mercado para os agricultores locais, incentivando a estruturação de uma cadeia produtiva robusta que pode transformar o Ceará em um exportador de biocombustível para o restante do Nordeste.
Além dos benefícios industriais, o projeto carrega um forte componente social.
Quando estava em operação, a planta movimentava o comércio de Quixadá e mantinha parcerias com cooperativas de catadores para a coleta de óleo usado.
A expectativa é que esse ciclo de economia circular e geração de renda seja restabelecido, beneficiando centenas de famílias.
Contudo, o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) alerta para o estado de conservação da planta.
Por estar parada há oito anos, a unidade sofreu um processo de sucateamento, tendo inclusive equipamentos transferidos para outras usinas da PBio em Minas Gerais e na Bahia, o que exigirá uma manutenção profunda antes do reinício das atividades.
Por fim, a reativação de Quixadá integra um plano maior de descarbonização da Petrobras.
A unidade deverá atuar em sinergia com outros ativos da companhia no Ceará, como a refinaria Lubnor e a Termoceará, fornecendo insumos renováveis e ajudando a descentralizar a oferta de combustíveis, hoje concentrada nas regiões Centro-Oeste e Sul do país.

