
Cláudio Castro (PL) oficializou sua renúncia ao cargo de governador do Rio de Janeiro na noite deste domingo, 22.
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O movimento ocorre em um momento de extrema tensão jurídica, faltando menos de 48 horas para o início de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que poderia resultar na cassação de seu mandato e em sua inelegibilidade por oito anos.
O julgamento no TSE, agendado para esta terça-feira, 24, analisa acusações de abuso de poder político e econômico durante a campanha de 2022.
O caso central envolve supostas irregularidades e “folhas de pagamento secretas” na Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), esquemas que teriam sido utilizados para turbinar a candidatura de Castro.
Aliados e especialistas jurídicos avaliam que a renúncia é uma manobra estratégica para tentar retirar o processo da esfera eleitoral.
Ao deixar o cargo voluntariamente, Castro busca esvaziar o objeto da ação no TSE — uma vez que não há mais mandato a ser cassado — e transferir a disputa para a Justiça comum, onde o trâmite costuma ser mais lento e menos rigoroso em termos de prazos de inelegibilidade.
Com a saída de Castro, o vice-governador Thiago Pampulha (União Brasil) assume definitivamente o comando do estado do Rio de Janeiro.
Pampulha, que enfrentou desgastes públicos com o agora ex-governador nos últimos meses, terá o desafio de gerir a crise política e manter a estabilidade administrativa até o final do mandato, em dezembro de 2026.
A estratégia de Castro visa, primordialmente, salvar seu capital político para as eleições de 2026.
O ex-governador planeja concorrer a uma vaga no Senado Federal e, para isso, precisa evitar a qualquer custo uma condenação que o retire do jogo eleitoral nos próximos pleitos.
A renúncia antecipada é vista como o último recurso para preservar esse projeto.
Apesar da saída do cargo, o desfecho judicial ainda é incerto.
O TSE pode entender que a análise da inelegibilidade deve prosseguir independentemente da renúncia, mantendo o julgamento de terça-feira.
Se condenado, Cláudio Castro poderá se tornar o segundo governador consecutivo do Rio a ter a carreira interrompida por decisões judiciais, seguindo os passos de seu antecessor, Wilson Witzel.

