
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) assumiu, nesta segunda-feira, 23, a presidência da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados.
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A parlamentar é a primeira mulher negra trans a ocupar o posto, marcando um momento histórico para o colegiado e para a representatividade política no Congresso Nacional.
Em seu discurso de posse, Hilton afirmou que a comissão terá o desafio de enfrentar o que classificou como um “sistema organizado de opressão”.
Segundo a deputada, o colegiado deve atuar de forma combativa contra o avanço de pautas que, em sua visão, buscam retirar direitos de populações historicamente marginalizadas no Brasil.
Entre as prioridades listadas para sua gestão, a parlamentar destacou o combate ao racismo estrutural, à LGBTfobia e às desigualdades sociais.
Ela reforçou que a comissão será um espaço de acolhimento para movimentos negros, indígenas, quilombolas e para a comunidade LGBTQIA+, grupos que ela considera mais vulneráveis às atuais tensões políticas.
Erika Hilton também pontuou a necessidade de resistência frente à influência de setores da extrema direita na Câmara.
Para a nova presidente, será necessária uma articulação política rigorosa para impedir retrocessos em políticas de inclusão e garantir que a proteção das liberdades individuais permaneça na agenda legislativa.
Um dos eixos estratégicos de seu mandato será a retomada do diálogo direto com a sociedade civil organizada.
A proposta é que a comissão volte a funcionar como um canal de denúncias para violações de direitos humanos, estabelecendo uma ponte eficiente entre o Parlamento e os órgãos de controle nacionais e internacionais.
No campo das disputas territoriais, a deputada mencionou a urgência de debater a demarcação de terras indígenas e as consequências do “Marco Temporal”.
Além disso, pautas voltadas à segurança pública, como o combate à violência policial e ao encarceramento em massa da juventude negra, devem dominar as audiências públicas do colegiado.
A parlamentar defendeu que o fortalecimento da comissão é um passo fundamental para que o Brasil cumpra os tratados internacionais de direitos humanos dos quais é signatário.
Para Hilton, o país precisa recuperar sua credibilidade externa ao demonstrar compromisso institucional com a dignidade humana e a justiça social.
Apesar da polarização política que marca a atual composição da Câmara, Erika Hilton garantiu que sua presidência será pautada pelo respeito ao regimento interno e à Constituição Federal.
O objetivo final, segundo ela, é assegurar que o foco do colegiado permaneça na defesa inegociável dos direitos fundamentais de todos os cidadãos brasileiros.

