
O Ceará deve concluir, ainda no primeiro semestre deste ano, a fase de prototipagem de um projeto inovador de biocarvão.
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A iniciativa consiste na criação de um combustível híbrido que une resíduos de coco ao carvão mineral, visando uma alternativa mais sustentável para a matriz industrial do estado.
O projeto é uma parceria entre a Universidade Estadual do Ceará (Uece) e a Diamante Energia, gestora da Energia Pecém.
O anúncio foi feito pelo secretário executivo da Secretaria de Desenvolvimento do Estado (SDE), Rennys Frota, durante a abertura do III Fórum Nordeste de Economia Circular (FNEC), em Fortaleza.
O evento, que segue até sexta-feira, 27, reúne especialistas para debater práticas sustentáveis e inovação regenerativa, colocando o Ceará no centro das discussões sobre políticas públicas voltadas à economia verde.
A transformação de resíduos de coco em combustível ataca um problema ambiental relevante: estima-se que cada fruto consumido deixe, em média, 1,2 kg de sobra no ambiente.
Com um investimento inicial de R$ 2,5 milhões, a ideia é que esse “blend” substitua parte do carvão mineral utilizado em processos industriais e térmicos, mitigando o impacto ambiental e resolvendo o destino do lixo orgânico.
O conceito de economia circular, eixo central do fórum, propõe um modelo de produção que reduz o desperdício ao máximo, mantendo recursos em uso por mais tempo.
No Ceará, essa pauta ganha força pela robustez da matriz energética estadual.
Em 2023, 71% da energia elétrica gerada no estado foi de fonte eólica e 25% de fonte solar, consolidando a região na vanguarda da energia limpa no país.
Lídice Berman, organizadora do FNEC, destaca que o Ceará foi escolhido para sediar o evento justamente por representar a pauta da sustentabilidade com consciência.
Para ela, o alto percentual de uso de energias renováveis demonstra que o estado está avançado na transição energética, reduzindo drasticamente a dependência de combustíveis fósseis tradicionais.
A investidora de impacto Ticiana Rolim Queiroz reforça que a mudança para um modelo econômico sustentável é um “desafio humanitário” que exige a união entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil.
Segundo ela, não basta apenas reciclar individualmente; é preciso que as grandes cadeias produtivas virem a chave para soluções de inovação social e desenvolvimento territorial.
Além do impacto ambiental, a sustentabilidade tornou-se uma necessidade de mercado.
Ticiana aponta que o consumidor moderno está mais consciente, priorizando empresas que valorizam a cadeia produtiva e possuem propósito social.
Dados indicam que 80% das pessoas procuram saber como e por que uma empresa fabrica seus produtos antes de consumi-los ou até de aceitarem vagas de emprego.
Com o encerramento da fase de prototipagem do biocarvão, o próximo passo do Governo do Ceará será estruturar a logística para que o resíduo do coco seja triturado e entregue às indústrias.
A medida deve consolidar o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) como um laboratório de práticas circulares, transformando passivos ambientais em ativos energéticos para o estado.

