
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou no Ceará nesta quarta-feira, 1º, para sua 11ª visita oficial ao estado.
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Além de cumprir agendas administrativas, como a visita ao novo campus do ITA e a celebração do programa Pé-de-Meia, a passagem do mandatário é marcada pela necessidade de mediar tensões internas do PT visando as eleições de 2026.
Em entrevista ao Grupo Cidade de Comunicação, Lula sinalizou que a chapa majoritária para o Governo do Estado está praticamente definida.
O presidente reforçou o apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), a quem classificou como um “bom candidato”, afirmando que o cenário atual está consolidado, salvo algum fato extraordinário.
Sobre o ex-ministro da Educação, Camilo Santana, Lula descartou um retorno imediato do aliado ao comando do Executivo estadual.
Segundo o presidente, a saída de Camilo do MEC visa transformá-lo em um articulador nacional e cabo eleitoral estratégico, viajando pelo país para fortalecer o PT e a futura campanha de reeleição presidencial.
A situação da deputada federal Luizianne Lins, que avalia deixar o PT, também foi abordada de forma pragmática.
Lula defendeu que o partido “não pode querer ter tudo” e precisa compartilhar espaços com aliados para garantir a governabilidade.
Ele sugeriu que lideranças devem aceitar “sacrifícios” em prol de alianças amplas, embora tenha dito que lamentaria uma eventual saída da parlamentar.
Quanto à pretensão do deputado federal José Guimarães de disputar o Senado, Lula adotou um tom de cautela.
O presidente pontuou que a liderança do governo na Câmara, por si só, não garante a vaga na chapa majoritária, uma vez que a definição dependerá da correlação de forças e dos acordos entre as siglas que compõem a base governista cearense.
Ao comentar sobre o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), atual voz da oposição no estado, Lula criticou o que chamou de “destempero” do antigo aliado.
O presidente afirmou que Ciro tende a colocar projetos pessoais acima das instituições partidárias, mas ressaltou guardar boas memórias do período em que o cearense integrou seu ministério entre 2003 e 2006.
O presidente também destacou que as eleições de 2026 para o Senado serão cruciais para a manutenção do regime democrático.
Lula fez uma distinção entre o perfil dos governadores, que dependem do diálogo constante com o Planalto para realizar obras, e o de senadores que, devido ao mandato de oito anos, por vezes se isolam das negociações institucionais.
Por fim, Lula confirmou a intenção de buscar um inédito quarto mandato em 2026.
O mandatário justificou a decisão pela “ideia fixa” de que ainda é necessário avançar na resolução de problemas estruturais da população mais pobre, consolidando a agenda de combate às desigualdades como o eixo central de sua futura candidatura.

