
Por Rubênia Lauriza
Ao longo dos anos trabalhando na saúde, aprendi que muitos dos problemas graves que chegam aos hospitais começaram muito antes, quando ainda havia tempo para prevenir, acompanhar e mudar o rumo daquela história.
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A doença renal crônica é um desses casos. Ela pode evoluir silenciosamente durante anos e, quando surgem sinais mais evidentes, parte da função dos rins já pode estar comprometida.
Hipertensão e diabetes merecem atenção especial nessa discussão. O Ministério da Saúde aponta essas condições entre os principais fatores de risco relacionados à doença renal crônica.
O problema é que uma pessoa pode conviver durante bastante tempo com uma doença crônica sem perceber a gravidade de sua evolução.
Por isso, esperar pelo aparecimento de sintomas para intensificar os cuidados pode significar perder uma oportunidade importante de diagnóstico e acompanhamento.
Essa preocupação também vem da minha experiência profissional. Minha trajetória permitiu conhecer a saúde pública em diferentes realidades.
Atuei por anos na Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza, inclusive como enfermeira auditora, acompanhando processos relacionados à assistência, auditoria e organização dos serviços.
Também trabalhei na Secretaria Municipal da Saúde de Cascavel e na Secretaria da Saúde do Estado do Ceará.
Essas experiências ampliaram minha compreensão sobre o funcionamento da rede e, principalmente, sobre a importância de acompanhar o paciente antes que uma doença crônica evolua para uma condição mais grave.
Foi trabalhando nessas diferentes estruturas que aprendi a olhar não apenas para o atendimento realizado, mas para o caminho percorrido pelo paciente até chegar a ele.
Quando penso em doença renal crônica, minha preocupação não começa na máquina de hemodiálise. Ela começa muito antes, com aquele paciente hipertenso ou diabético que aparentemente está bem, mas precisa de acompanhamento.
Precisamos saber se a pressão arterial está controlada, se o diabetes está sendo acompanhado, se os medicamentos estão sendo utilizados corretamente e se os exames indicados estão sendo realizados.
Quando surgem alterações da função renal, essa informação precisa gerar uma conduta.
Dependendo da avaliação clínica e da estratificação de risco, o paciente deve permanecer acompanhado na atenção primária ou chegar à assistência especializada no momento adequado.
Não defendo que todo hipertenso ou diabético seja automaticamente encaminhado para um nefrologista, nem que todos realizem os mesmos exames com a mesma periodicidade.
Cada pessoa tem sua própria condição clínica. O que não podemos considerar normal é alguém com fatores de risco passar anos sem acompanhamento adequado e reaparecer no sistema quando a doença já estiver muito mais avançada.
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