
Num país polarizado, politicamente, todos são instados a tomar lado. Inclusive – lamentavelmente -, instituições que fizeram história pregando equilíbrio e isenção, a exemplo do Judiciário e imprensa.
Por que, então, no jogo eleitoral pelo poder, propriamente, seria diferente?

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Principais atores da polarização, o presidente Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) repelem-se e retroalimentam-se.
Ambos batem recordes de rejeição. Mas um dos dois tomará posse do mandato de chefe do Governo Federal, no dia 1º de janeiro de 2027.
CIRO NEGOU, NEGOU E NEGOU
No Ceará, o candidato Ciro Gomes (PSDB) fez intrincada engenharia, pela qual se viabilizou na corrida ao Palácio da Abolição com o atual governador e candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT).
Como veremos, o malabarismo do ex-ministro cobrou um alto preço. Às amarras iniciais foram somadas a outras, ao longo da campanha. Vejamos.
Mesmo com o PL de André Fernandes, Alcides Fernandes e Flávio na coligação, Ciro negou, negou e negou que tenha se rendido ao bolsonarismo. Diferentemente disso, o ex-ministro disse não ter candidato a presidente.
Ao fazer isso, Ciro deixou suas opções em aberto – inclusive para eleitores de Lula, que no Ceará tem vantagem de 3 x 1 sobre Flávio. Daí a ideia da chapa apócrifa ‘Cirula’.
BOLSONARISMO VERSUS LULISMO
Ocorre que os governistas, ao longo de toda a campanha, martelaram em duas teclas: Ciro é bolsonarista e Elmano é o candidato de Lula. As duas associações, certamente, seguraram os índices do opositor.
Tanto assim foi que a disputa de narrativas foi parar na Justiça Eleitoral. Ciro ganhou na instância estadual pela retirada do conteúdo da propaganda de Elmano, mas, por enquanto, perdeu em Brasília.
O PREÇO DO ISOLAMENTO
O resultado que pode estar pintando no horizonte de 4 de outubro – AtlasIntel desta terça-feira, 29, mostra virada numérica do petista sobre o tucano -, deve-se, majoritariamente, a esta escolha do ex-ministro.
Sem opções, Ciro isolou-se na disputa estadual e focou muito na gestão Elmano, minimizando a polarizada equação política. No final das contas – e da apuração -, este erro poderá ter sido fatal.
Em tempos de polarização política, toda dubiedade será castigada.


