
Candidato derrotado em primeiro turno para o governo do Estado, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) deveria subir no palanque de Flávio Bolsonaro (PL) nesta segunda fase da disputa pelo Palácio do Planalto.
Na primeira rodada da disputa eleitoral, o tucano evitou declarar voto para presidente. Mas o cenário agora é outro. A disputa para o governo do Estado acabou.

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O apoio de Ciro a Flávio daria unidade ao grupo derrotado por apoiadores do presidente e candidato à reeleição, Lula da Silva (PT), que elegeram o governador Elmano de Freitas (PT) para mais um mandato.
É esse o entendimento médio de interlocutores da Coluna que apoiaram Ciro para governador. É essa a posição mediana de integrantes da legião cirista no Estado.
Em 2024, por muito menos líderes de peso ligados a Ciro declararam voto e fizeram campanha para André Fernandes (PL), no segundo turno do pleito pela Prefeitura de Fortaleza.
Mais um argumento: há dois anos, diferentemente de agora, não existiu coligação formal do ex-ministro com o PL bolsonarista, como houve em 2026.
E para finalizar, por enquanto, ainda há a expectativa de um governo Flávio. Nessa hipótese, muitos personagens que orbitam Ciro poderiam ser contemplados na máquina federal – em Brasília ou no Estado.
E antes que falsos moralistas se assanhem: quem ganha eleição governa com aliados – não com adversários.
O TAMANHO DE CIRO
Ciro caiu atirando – insinuou que “roubaram” a eleição dele. Jus sperniandi à parte, o tucano construiu, nos últimos meses, uma rede de eleitores e apoiadores que gostariam de vê-lo governador do Estado.
O tucano sai do pleito, pelo menos no Ceará, muito mais relevante do que há quatro anos, quando disputou, pela quarta vez, a Presidência da República.
Há quatro anos, Ciro obteve, no Estado, menos de 370 mil votos para o Planalto – cerca de 6,8% do total. Em 2026, foram quase 2,5 milhões para o Abolição – mais de 46%.
Visto de forma isolada, Ciro detém o maior patrimônio individual da oposição. Nenhum outro personagem, nesse espectro político, nem de longe se aproxima do tamanho político de Ciro.
Mas político que não toma posição é time que não joga: perde eleitores e torcida. Daí a necessidade de Ciro definir o caminho neste segundo turno presidencial.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


