
O debate na Band, na noite deste domingo, 18, entre o candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL) não ajudou muito o eleitor indeciso.
O inédito encontro de ontem não foi, necessariamente, vazio de ideias. Mas foi prejudicado pela desordem, ocorrida praticamente de ponta a ponta – detalhes abaixo.

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A partir dos cortes que estão indo para as redes, os dois lados estão dizendo que venceram. Mas, na prática, a hostilidade servirá apenas para incendiar a última semana de campanha – deve ir ao limite.
Lula e Flávio podem estar dizendo que se deram bem no tradicional debate na Band. Mas o eleitor e o Brasil se deram mal.
Acompanhar debate eleitoral, ao vivo, é para político de carreira e demais profissionais da área, já que o conteúdo fica disponível, na íntegra, depois da transmissão.
Mesmo assim, em pleitos acirrados, como o deste ano, os preciosos índices de eleitores indecisos e/ou flutuantes deveriam ser o público a ser buscado por ambos os concorrentes.
Em temos estratégicos, ficou claro que Flávio e Lula investiram na desconstrução um do outro – como se já não fossem recordistas de rejeição.
Flávio e Lula estão tecnicamente empatados, segundo a média de todas as pesquisas divulgadas desde o resultado do primeiro turno, em 5 de outubro.
Em termos numéricos, o candidato do PL segue à frente, com algumas oscilações para baixo, enquanto o nome do PT faz discretos movimentos acima.
Porém, a eleição está totalmente em aberto. O tira-teima ‘valendo este agora vai’ será apenas na noite do próximo domingo, 25, na totalização dos votos.
Afora o festival de acusações entre Flávio e Lula, a Coluna faz apenas dois destaques: o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro saiu-se melhor na abordagem do combate à criminalidade.
Já o candidato à reeleição foi mais eloquente na questão da saúde pública, com ênfase nos resultados e avanços na área e defesa do SUS.
PARA QUEM NÃO VIU
Os organizadores erraram feio ao esperar educação e silêncio de uma desnecessária grande plateia no estúdio. Em ambientes de baixo nível, não se joga pérola aos porcos.
Composto por assessores dos dois candidatos, o público presente no estúdio atrapalhou. Aplausos, gritos e xingamentos, vazados para a audiência, chegaram a interromper as falas de Lula e Flávio.
Falando ao mesmo tempo, os dois presidenciáveis também não se respeitaram. Quando conseguiam dizer algo, eram ataques pessoais e denúncias mútuas. Uma aula de incivilidade política.
Flávio procurou, o tempo todo, enquadra-se no vídeo, durante discursos de Lula. Os mugangos e caras e bocas do candidato do PL irritaram lulistas e o próprio candidato à reeleição.
Descontrolado, o primeiro embate verbal entre os dois principais candidatos a presidente da República de 2026 foi sucedido por alarme falso de bomba nos estúdios da TV paulista.
Um grand finale horroroso, nesta disputa que já é uma das piores e mais estranhas do País desde a redemocratização.
E a última semana está apenas começando.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


