
Como aqui já dito algumas vezes, o eleitorado órfão do fracassado projeto do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) de chegar ao governo do Estado deve, por gravidade, votar em Flávio Bolsonaro (PL).
Essa é a lógica básica, tendo em vista, entre outros pontos, o alinhamento político-partidário tucano do Estado com setores bolsonaristas estaduais e nacionais. Até aqui, nada demais. Surpresa zero.

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O problema é quando a decisão vem acompanhada de sentimentos rebaixados de amargura e vingança, conforme a Coluna vem identificando em alguns de seus interlocutores. Repetimos: não são todos.
Eleitores de Flávio que também são leitores da Coluna costumam dizer – quer em ambiente virtual ou presencial -, mais ou menos, à queima-roupa:
“Viu a pesquisa (…) ? Vai ser com (chute) milhões de votos. Nós vamos f* o Ceará”. Acreditem. Chegou-se a esse nível. Isso é muito mais do que querer um segundo turno estadual que nunca vai existir.
Quem pensa assim está na campanha para Flávio ser eleito presidente da República e, a partir daí, tratar o Ceará a pão seco e água insalubre.
Eleger Flávio no próximo domingo, 25, virou fator de vingança pelo resultado do último dia 5, quando o governador Elmano de Freitas (PT) foi reeleito para mais quatro anos de mandato.
Parece clichê, mas precisa ser dito. A eleição para governador no Estado acabou. Estamos, agora, falando de governo federal e como o próximo chefe vai tratar o Ceará e o Nordeste.
Era para estamos falando de futuro e não de ofensa, agressão, rixa e insulto. A quem interessa a política de terra arrasada no Ceará e no Nordeste?
Há sim, defensores de Flávio que pedem voto no 22 – é o número do candidato do PL na urna -, e argumentam conforme suas convicções políticas, sem aparente ódio ou desejar desastres para o Ceará.
Está praticamente sedimentada a percepção nacional de que esta é a pior campanha eleitoral das últimas décadas. Para se chegar à conclusão, costuma-se apontar o dedo para os candidatos.
Não são apenas eles. O Brasil está cheio de eleitores que se deixaram levar pela vendeta, conforme seus instintos mais primitivos do quanto pior, melhor.
Atenção: isso serve para os dois lados da polarização. Não há santinhos de estimação nessa história. É só olhar para o lado, redes sociais e WhatsApp.
Lamentável conclusão: haverá consequências.
Não tem como terminar bem um processo eleitoral em que sentimentos ruins orientam comportamentos, falas e decisões políticas. Nada ressoa positivo em cantos de aves de agouro.
Cuidado! A vingança é um prato que te come frio.
Boa quinta-feira.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


