
Quem assistiu ao debate na TV Globo, na noite desta sexta-feira, 23, entre o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL), deve ter gostado do que viu e ouviu.
Particularmente, se o telespectador também tiver acompanhado, na Band, o decepcionante confronto entre os presidenciáveis, menos de uma semana antes.

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A comparação é importante. Diferentemente da emissora paulista, a Globo deixou por último o bloco com temas livres e banco de tempo. Nos três primeiros, as falas foram propositivas e regionalizadas.
A força da Globo conseguiu enquadrar os adversários? Não, necessariamente. Flávio e Lula modularam seus discursos porque sabiam que estavam devendo isso aos eleitores – especialmente, aos indecisos.
Vistos em perspectiva, os debates da Band e Globo refletiram a síntese da campanha presidencial de 2026: superficial, de baixo nível – focada na desconstrução do adversário -, e dominada pelas redes sociais.
Os dois candidatos requentaram denúncias e apresentaram outras, com o objetivo, conforme dito aqui, de um mostrar que o outro é mais corrupto, mentiroso e ladrão.
COMO FOI
Lula investiu pesado na ideia de que Flávio não conhece o Brasil, puxou memórias negativas do governo Jair Bolsonaro – pai do oponente -, e pediu, repetidas vezes, buscas no Google – um cacoete anti-fake news.
Lula administrou mal o tempo, colou muito no caderno com anotações que levou ao púlpito e não foi bem quando chamou Flávio de “esse rapaz”. Isso tem nome: preconceito.
A propósito de desrespeito, Flávio retratou-se, por ter definido Lula como “nove dedos”. Lula reagiu fortemente e tachou o bolsonarista de “miliciano”. Foi o ponto alto do candidato do PT.
Treinado, Flávio colocou, de forma didática, como o governo perdulário do PT gasta mais do que arrecada, aumenta a própria dívida e repassa, em impostos, o alto custo de vida para a mesa do brasileiro.
Em linhas gerais, o candidato do PL vendeu a ideia de que Lula está ultrapassado e tentou vender o futuro e mudança de rumos do País.
Já o presidente associou Flávio a “retrocesso”, redução ou mesmo extinção de programas sociais. A conhecida estratégia do medo. O senador negou e disse que poderá até ampliá-los.
São questões em aberto. Serão respondidas apenas neste domingo, 25, com a boa ajuda do confronto de ideias da última noite.
Entre Flávio e Lula, foi o eleitor quem ganhou o debate na Globo.
Bom sábado.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


