
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), neste domingo, 25, entra para a história do jogo do poder no Brasil por vários motivos. Vamos a alguns deles.
O mais eloquente é o tempo que um mandatário ficará à frente do governo e Estado brasileiros: 16 anos, divididos em dois períodos.
Somados ao mandato e meio de Dilma Rousseff, entre 2011-2016, serão mais de duas décadas do PT no Palácio do Planalto.

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Reeleito pela segunda vez, Lula derrotou o filho, Flávio, quatro anos depois de ganhar do pai, Jair Bolsonaro, em 2022.
Como o próprio Lula disse, na fala de agradecimento, na última noite, ele nunca ganhou uma eleição em primeiro turno, mas também nunca perdeu uma no segundo.
A virada espetacular entre a primeira e a segunda votações, agora em 2026, soma-se a outra escrita, de quatro anos atrás, quando um presidente da República, Jair, pela primeira vez perdeu a reeleição.
Não foi qualquer virada. Foram mais de dez milhões de votos conquistado desde o dia 4, para constrangimento dos institutos de pesquisa, que mais uma vez erraram nas projeções.
Outro ponto marcante foram as grandes mobilizações pró-Lula, nas ruas e redes sociais. Aos fenômenos é creditada parte da vitória lulista.
Mas nem tudo são flores. Sucessor dele mesmo, Lula vai receber, no dia 5 de janeiro, quando for reempossado, um país dividido, endividado, estagnado e violento.
A economia piorou. A situação fiscal degringolou, agravando-se, inclusive, com o pacote de benefícios anunciadas pelo então candidato à reeleição, nas últimas semanas.
O Congresso Nacional será a mais difícil trincheira opositora dos quatro mandatos de Lula. No mapa do Brasil, muitos dos principais estados serão governados por opositores.
Para piorar um pouco mais, o Judiciário mergulhou numa bagunça institucional sem precedentes. Derrotado, Flávio diz não aceitar o resultado das urnas. O conflito jurídico e político está posto.
Para completar, Lula vai para mais quatro anos de gestão batendo recorde de rejeição e tendo de administrar a própria sucessão.
Até ontem à tardinha, havia severas dúvidas sobre a vitória de Lula, que chega aos 81 anos de idade nesta quarta-feira, 27.
Já a disputa interna sobre quem será o sucessor é uma certeza. Apenas foi adiada.
São muitas camadas e aspectos, que serão, devidamente, analisadas em profundidade, nas próximas edições da Coluna.
Até lá, boa semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.


