
A pré-candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Estado é a principal novidade
política do Ceará desde o racha PT-PDT de 2022.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Há alguns meses e por mais de uma vez, este colunista prognosticou que com os arranjos adequados, teríamos uma disputa eleitoral dura e imprevisível.
Há sinais, porém, de que variáveis estão atuando para circunscrever Ciro a apenas um nome potencialmente forte, mas sem os elementos de competitividade. Vejamos.
Com raríssimas exceções, não há êxito eleitoral em candidaturas sem um arco de aliança forte, bem estruturado e muito capilarizado.
Como está Ciro nesse imprescindível aspecto?
Bem. O PL nacional pausou as conversas que poderiam levar o bolsonarismo cearense a subir no palanque do pré-candidato tucano.
Chegou à Coluna a informação de que ao presidente da sigla no Ceará, deputado federal André Fernandes, foi entregue a articulação para a formação da chapa proporcional.
A chapa majoritária – candidatos a governador, vice e senador -, estaria com a cúpula nacional. Ou seja, Valdemar da Costa Neto e os Bolsonaro.
Se a especulação prosperar, o PL-CE pode ir de Eduardo Girão – o que soa como sinfonia nos aos ouvidos do Palácio da Abolição.
Mas ainda pode piorar para Ciro: o União Brasil, outra promessa de palanque, pode ser empurrado para a pré-candidatura à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).
Me dê motivo
Legítimo representante do centrão, o União Brasil é biruta de aeroporto – vai para onde o vento soprar. Principalmente, quando há motivos.
Essa motivação parece existir. Supostamente enrolado com atividades do PCC, o presidente nacional da sigla, Antonio Rueda, estaria disposto a entregar os anéis para salvar os dedos.
Como? Simples. Na aba do governo Lula, Rueda teria mais chances de se proteger da tempestade jurídica e policial que se forma no horizonte.
O partido acaba de fechar com o lulista João Campos (PSB), pré-candidato ao governo do vizinho Pernanbuco.
No Ceará, oficialmente, o União Brasil está na oposição – apesar de abrigar governistas e independentes – em compasso de espera.
Rodadas de conversa, principalmente, em Brasília, não param de acontecer.
O desfecho pode sobrar até para o ex-prefeito Roberto Cláudio, recente aquisição do partido presidido no Estado pelo ex-adversário Capitão Wagner.
Voltando a Ciro. Num cenário assim, sem PL nem União Brasil – dois dos maiores e mais endinheirados partidos do País -, a tendência seria a perspectiva de poder da oposição no Ceará perder muita força.
E isso é quase tudo, num estado historicamente adesista.
PS: o título acima ainda é uma pergunta, com verbo no futuro do pretérito. Poderá – ou não – se transformar em uma afirmação, até meados do primeiro semestre de 2026.
Aguardemos.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada às segundas, quartas e sextas-feiras.
