
Foi um erro político o tom comemorativo adotado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) na operação militar dos Estados Unidos na Venezuela.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Ao festejar a ação americana que tirou do poder Nicolás Maduro, Tarcísio alfineta o presidente Lula e agrada ao bolsonarismo.
Olhando para o horizonte do outubro eleitoral, o governador paulista sinaliza que, no mínimo, segue atento ao jogo sucessório do petista.
Mas, a que preço?
Menos de 48 horas após ordenar o ataque a Caracas, Trump admitiu, neste domingo, que a Colômbia pode ser o próximo alvo.
A fala do presidente americano espanca qualquer dúvida de que estamos diante de uma nova doutrina da Casa Branca para a América Latina.
Não se trata de um caso isolado de suposto esquema estatal venezuelano de narcotráfico e outras acusações que recaem sobre Maduro.
Muito indica que a reação barulhenta da comunidade internacional ao que está acontecendo no país vizinho não passará disso.
Foi assim na invasão do Iraque, em 2003; foi assim na invasão da Ucrânia, há quatro anos.
Num cenário ruim, Venezuela poderá ser, politicamente, a primeira concessão – a mais fatal de todas -, por abrir portas para as seguintes.
Trazendo Tarcísio para esse cenário, volta-se a perguntar: o que estaria disposto a fazer o governador para se viabilizar na disputa presidencial de logo mais?
E como seria uma eventual gestão federal de Tarcísio, alinhada a Marco Rubio e companhia?
Aqui não se discute que as últimas eleições na Venezuela foram fraudadas.
O governo Maduro era, portanto, ilegítimo e antidemocrático – além de violento e corrupto.
Era, a propósito disso, um vexame para a política externa lulista.
Mas isso não dá o direito a um presidenciável brasileiro relativizar o caso e bater palmas para uma ação ilegal, do ponto de vista do direito internacional.
É muito esquisito Tarcísio dizer que “a Venezuela agora está vencendo a esquerda e que, no final do ano, o Brasil também vença”. (sic)
Há, aí, uma mistura insidiosa de voto democrático com míssil balístico.
Sob a sombra da China e Rússia, Trump age na região por interesses geopolíticos – em petróleo, especificamente.
É o tal lema “Make America Great Again” – “Tornar a América Grande Novamente”, em tradução livre.
Governador do Estado mais rico do País, Tarcísio foi conivente com a invasão e os interesses americanos.
Agiu convenientemente, mas com efeito positivo duvidoso para ele.
O governador não pensou no Brasil no médio e longo prazos – e sim no projeto pessoal dele, caso este venha a sair das intenções.
Isso atiça as bolhas, mas não é, exatamente, a melhor forma de começar o 2026 eleitoral.
Boa semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada às segundas, quartas e sextas-feiras.

