
Há um entendimento mais ou menos pacífico entre especialistas de que a ofensiva dos Estados Unidos na Venezuela faz parte de um redesenho da geopolítica mundial.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Donald Trump estaria atuando nas Américas a la Vladimir Putin na Eurásia, a partir da Ucrânia, e Xi Jinping, na Ásia Oriental, via Taiwan.
Com a Europa sem força para reivindicar liderança global e a África em estágio neocolonial, a nova ordem seria definida a partir de Washington, Moscou e Pequim.
O aparente processo de desglobalização – que o diga as recentes guerras comerciais -, ajudaria na sedimentação destas três áreas de influência.
De novo, o título: o que esperar da política brasileira nessa nova ordem mundial.
Surpreenderá poucos se a eventual nova configuração impactar, diretamente, a correlação de forças políticas internas no Brasil.
Adepto de narrativas woke – causas progressistas em geral -, o lulopetismo sofreria forte pressão política de fora para dentro.
Grosso modo, basta lembrar o alinhamento do presidente Lula ao então governo ditatorial de Nicolás Maduro e outros assemelhados mundo afora.
Na outra ponta, o direitista argentino Javier Milei comemorou a operação militar americana em Caracas. Por aqui, pré-presidenciáveis bolsonaristas fizeram o mesmo.
Tudo isso vai chegar às eleições gerais brasileiras em outubro próximo? É muito provável. De certa forma, o debate já está posto.
Pré-candidato à reeleição, Lula vinha de expressiva vitória política no caso do tarifaço. Pretendia começar 2026 acelerando entregas.
Agora, terá de se equilibrar entre defender o que sempre defendeu, o chavismo, sem bater de frente com Trump.
A Venezuela virou um fardo pesado para o já cansado Lula.
Há, inclusive, expectativa, de um lado, e apreensão, de outro, sobre o que poderá vir à tona no julgamento de Maduro.
Sim. Os governos petistas têm umbilicais relações com o bolivarianismo.
A questão é saber como a desorganizada oposição ao Planalto vai monetizar tudo isso.
PS: setores da esquerda brasileira estão detonando a tese das novas zonas de influência globais. Deve ser porque faz sentido.
Para entender Ivo Gomes

Ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PSB) mandou às favas o alinhamento com o governo Elmano de Freitas (PT).
Ivo alega incoerência do Abolição, que detona o irmão dele, Ciro, por associação ao bolsonarismo, mas recebe apoio de bolsonaristas em sua Sobral.
Em 2024, Ivo foi derrotado por Oscar Rodrigues (União Brasil) na tentativa de fazer de Izolda Cela (PSB) sua sucessora.
Ao passar um risco no chão, Ivo tenta preservar seu grupo político, olhando para 2028 – quando Oscar deverá disputar a reeleição.
Outra questão a considerar é o efeito Ciro – agora anabolizado por Ivo -, que poderá deixar o projeto de reeleição de Elmano um pouco mais caro.
Isso, se o ex-ministro, efetivamente, entrar na disputa.
Se entrar e se tudo der certo para o cirismo em 2026 e o ex-ministro chegar ao Abolição, retomar o controle da Princesa do Norte será a prioridade das prioridades.
É nesse contexto em que deve ser entendida a recente fala de Ivo.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada às segundas, quartas e sextas-feiras.

