
A história é filha de seu tempo. Portanto, devemos analisá-la com os elementos da época.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Em entrevista recente, o ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PSB), associou o governo Elmano de Freitas (PT) ao de Lúcio Alcântara (então no PSDB) – transcorrido entre 2003 e 2006.
Para lembrar: depois de exitosos oito anos prefeito de Sobral, de 1997 a 2003, Cid Gomes – em sua primeira temporada no PSB -, liderou projeto que o levaria ao governo do Estado.
Como bem lembrou Ivo, o irmão ganhou no primeiro turno do candidato tucano à reeleição.
Cid projetou Sobral, nacionalmente. É dessa época o embrião do case educação no Ceará.
Com a grande vitrine administrativa e aprovação recorde, o hoje senador fez o sucessor, Leônidas Cristino (PPS, 2004), com os pés nas costas.
Ivo não conseguiu o mesmo, em 2024. Mas essa é outra história. Corta para 2026.
Ao comparar Elmano com Lúcio, Ivo escreve, nas entrelinhas, que Ciro, na hipótese de ser candidato, venceria Elmano – no primeiro turno.
A diferença
Em duas décadas, o mundo político girou e capotou várias vezes. Mas uma diferença se mantém, entre Cid de 2006 e Ciro de 2026.
Quando derrotou Lúcio, Cid apresentou o projeto de slogan “O Salto que o Ceará Merece”. O pacote de ideias mobilizou muitas forças, em todos os quadrantes.
O movimento correu o Ceará. A caravana atropelou a aprovação da gestão Lúcio e de 80% ou mais de prefeitos que juravam fidelidade de pet ao governador.
De novo: há 20 anos, Cid tinha um projeto para o Ceará. Ciro não tem um para 2026. Repetimos: se sair candidato.
Como aqui vimos lembrando, ter um bom diagnóstico, seguido de um exequível planejamento, faz toda a diferença.
Não dá para comparar Elmano com Lúcio nem Ciro com Cid. Cada eleição tem sua história – a exemplo do próprio Ciro, eleito governador há 35 anos.
Por que o efeito Ciro
Uma boa tese para o bom desempenho de Ciro nas simulações eleitorais pode ser o aparente cansaço dos governos do PT – aqui e alhures.
Elmano pode estar fazendo um governo com bons resultados etc e tal. Mesmo assim, corre o risco de pagar uma conta que não é – somente -, dele.
Vide cenário de criminalidade, uma chaga nacional. O cansado governo Lula não consegue estancar a sangria e isso está xiringando em Elmano.
Eis as duas tarefas – mitigar a fadiga petista e reduzir, drasticamente, a criminalidade -, que o Palácio da Abolição tem para a semana passada.
Voltando a 2006 de Cid: lá também havia a sensaçao de insegurança, muito abaixo da atual. Foi o período pré-facções.
O então candidato a governador apresentou a proposta “Ronda do Quarteirão – a polícia da boa vizinhança”.
Dessa muitos ainda lembram.
Camilo gabaritou

O ex-governador Camilo Santana (PT) acertou em afastar a possibilidade de trocar o ministério da Educação pela pasta da Justiça e Segurança Pública.
Conforme especulado nos últimos dias, em Brasília, Camilo substituiria Ricardo Lewandowski, que limpou as gavetas.
No formato atual – o presidente Lula admite desmembrar a pasta -, o ministério é uma grande usina de problemas e desgastes políticos.
Não há vida eleitoral depois de passagem por um ministério-bomba, com raquítico potencial de agenda positiva no atual cenário.
Muito diferente do festejado e bilionário MEC.
Iluminação pública
O capital social da Fortaleza Luz Serviços, empresa contratada pela gestão Evandro Leitão (PT) para gerir a iluminação pública e semáforos da Cidade, é menos de 2% do valor do contrato.
Firmado na reta finalíssima do ano passado, a peça jurídica prevê pagamento de R$ 4.095.478.800,00 ao longo de 15 anos – vai até 2040.
O capital da pessoa jurídica contratada é R$ R$ 74.493.867,00.
Numa conta de padaria bem iluminada, dá 1,81% do valor global celebrado.
A atividade principal declarada é “montagem e instalação de sistemas e equipamentos de iluminação e sinalização em vias públicas, portos e aeroportos”.
A Fortaleza Luz Serviços tem como administrador Marcelo Souza de Camargo Rodrigues.
Considerando esta sexta-feira, 9, o CNPJ da empresa está ativo há 11 dias.
Bom final de semana de Pré-Carnaval.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada às segundas, quartas e sextas-feiras.

