
Diante da pausa no PL nas negociações para apoiá-lo e a ofensiva do Abolição sobre a federação União Progressista, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) avançou na pré-candidatura.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Em conversas com aliados e imprensa nos últimos dias, o ex-governador ainda não foi taxativo, mas está menos evasivo do que há algumas semanas.
A nova fase de Ciro, com aparente mais disposição, é compreensível. Sem posição mais concreta, fica difícil líderes do PL e União Brasil avançarem nas tratativas de apoio.
Sem Ciro, tanto o PL quanto o União lançarão candidato próprio, mesmo que seja apenas para marcar posição e puxar candidatos a deputado e senador.
A recíproca não é mentirosa. Sem PL ou sem União, Ciro ficará fragilizado. Sem os dois, dificilmente será candidato.
No entorno do ex-governador, porém, não há dúvida de que ele sairá candidato. Mas aqui é preciso dar um bom desconto.
Sem nome competitivo, a oposição vê em Ciro a única opção do grupo. Mais do que convicção política, opositores precisam de Ciro.
Ciro já fala, inclusive, em possibilidades para a composição da chapa majoritária – os ex-adversários Capitão Wagner e Roberto Cláudio – ambos do União.
Estágios da pré-candidatura
Um dos políticos mais experientes em atuação do País, Ciro vê a fase de pré-candidatura majoritária dividida em estágios.
A primeira dessas etapas seria o clamor popular, seguido por um consistente arco de aliança partidária, a formação da chapa e um bom projeto.
Esses estágios ainda estão embrionários. Ciro ainda não bateu o martelo, textualmente, se será candidato; corre o risco de ficar sem grandes aliados – de onde sairia parte da chapa -, e ainda não tem projeto.
Contudo, pode-se dizer que a candidatura de Ciro está em formação. Já esteve mais distante. Nos próximos dias, ele deverá ter agenda no Interior do Estado – começa pela região do Cariri.
Esta semana sai a primeira Paraná Pesquisas deste 2026 eleitoral. Foram a campo os nomes do ex-governador e do atual e provável candidato à reeleição, Elmano de Freitas (PT).
Como aqui já dito, Ciro é visto como antipetista ferrenho. Isso, mais a fadiga dos governos do PT formam um caldo que poderá beneficiá-lo.
Arquétipo do herói
Muito citado por marquetólogos, o livro ‘O Estado Espetáculo’, de Roger Schwartzenberg, aponta quatro tipos básicos de imagem pública de candidatos – os chamados arquétipos. São eles:
Herói que vem solucionar problemas; pai/mãe que cuida do povo; líder charmoso que tem carisma, e a pessoa simples, gente como a gente.
Ciro está encarnando o personagem do herói. Ele crava muito o discurso da opressão, humilhação e abandono da população cearense, diante do suposto domínio de facões.
O pré-candidato do PSDB fala, inclusive e principalmente, de libertação. Isso é heroísmo em estado puro.
A saber, exemplos dos outros três arquétipos, segundo conversa da Coluna com bons profissionais do ramo:
Pai/mãe: Dilma Rousseff; líder charmoso: Fernando Collor de Melo; pessoa simples: presidente Lula.
Mas não somente de destemor e valentia viverá a provável candidatura de Ciro Gomes.
O tucano tem, entre vários outros, um desafio hercúleo, no curto prazo: erguer o PSDB, hoje praticamente inexistente no Estado. Voltaremos à pauta.
Boa semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada às segundas, quartas e sextas-feiras.

