
No meio do mandato de oito anos de senador, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), está no jogo de 2026, nos dois tabuleiros – estadual e nacional.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Não se trata, necessariamente, de disponibilidade do petista, a partir de abril, para atuar nas prováveis campanhas à reeleição do presidente Lula e do governador Elmano de Freitas.
Essa é a versão oficial, mas há intensas especulações sobre a desincompatibilização de Camilo até o dia 4 de abril.
Esse é o prazo da Justiça Eleitoral – seis meses antes do 4 de outubro -, quando acontece o primeiro turno das eleições gerais de 2026.
Se Camilo deixar o MEC depois do dia 4, não poderá ser candidato este ano. Nesse caso, não se fala mais nisso.
Porém, se o nome do ex-governador for ao Diário Oficial da União (DOU) antes da data acima, seguem as projeções.
Manobra estratégica
Camilo é peça-chave nas duas disputas. Dependendo da dinâmica dos próximos meses, poderá concorrer ao governo do Estado ou a vice de Lula.
E que dinâmica é essa? Vamos lá.
A pré-candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao Abolição – a grande novidade deste pleito estadual -, segue uma incógnita.
Filiado ao nanino PSDB, Ciro é altamente dependente do apoio de partidos de envergadura nacional – leia-se PL e União Brasil -, com muito dinheiro, tempo de propaganda e polifonia política.
Se ficar à disposição até o dia 4 de abril, Camilo dobra a aposta com Ciro – poderá enfrentá-lo. Isso cria uma larga e estratégica margem de manobra para a base governista. Veja bem.
Com Camilo desincompatibilizado, os palacianos ganham, no mínimo, uns três meses – abril, maio e junho. As convenções partidárias – quando as chapas são homologadas -, acontecem de 20 de julho a 5 de agosto.
Até lá, ou antes, saberemos se a candidatura de Ciro é para valer. Por quê?
Resposta: como aqui já dito, dependendo dos rumos do PL e União – este último está sendo leiloado entre governo e oposição no Ceará -, Ciro poderá repensar a candidatura.
Vice de Lula
Em nível nacional, Camilo também ocupa lugar privilegiado, caso o plano de voo do ministro tenha como foco o Palácio do Planalto.
Se a oposição a Lula continuar sem rumo e batendo cabeça, um dos cenários admitidos em Brasília é o PT fechar chapa puro-sangue.
Nesse cenário, Camilo é uma das boas opções para ser vice de Lula. E isso tem peso dobrado.
Uma vez Lula sendo reeeleito e se tudo der certo e nada der errado para o octogenário, Camilo será, como se habituou dizer no Ceará, pré-candidato natural em 2030.
E lembremos que Lula é arreado os quatro pneus pelo hoje ministro da Educação.
Último ponto, mas não menos importante: Camilo na chapa de Lula fortaleceria, sem chances de erro, o nome de Elmano à reeleição.
Portanto, considerados estes e outros fatores, Camilo deixar o MEC antes do dia 4 de abril será a melhor jogada a ser feita pelo líder político cearense.
PS: aí alguém pergunta: “Já combinou com os russos”. Não se trata disso. É sobre enxergar as peças do tabuleiro e os possíveis próximos movimentos da partida de xadrez que já começou.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada às segundas, quartas e sextas-feiras.
