
Provável candidato à reeleição, o governador Elmano de Freitas (PT) está, segundo o Paraná Pesquisas, 10,6 pontos percentuais atrás do possível concorrente Ciro Gomes (PSDB): 44,8% x 34,2%.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Dois dígitos de diferença, num ambiente político conflagrado, é uma distância enorme, dadas algumas circunstâncias específicas. Vejamos.
Há meses, Elmano está no modo pré-campanha – antes mesmo do fator Ciro, quando o Abolição projetava um bucólico passeio eleitoral em outubro de 2026.
O prognóstico mudou, radicalmente. O entorno do petista, que já respirava reeleição desde, pelo menos, o resultado eleitoral de 2024, ainda tenta dissecar o novo cenário.
A pressão sobre Elmano tem relação direta com as regras eleitorais em si, que não demarcam nem definem o que é pré-campanha para quem está em mandato.
Como o que não é proibido é permitido, Elmano está na estrada há meses. Mesmo assim, chega ao ano eleitoral com 34,2%.
Como o governador vai tirar a diferença de dez pontos nos próximos nove meses?
Além do Executivo, o grupo governista tem maioria parlamentar estadual e federal, conta com o apoio declarado de quase todos os prefeitos e mantém pelo menos uma dezena de partidos na base.
Então, qual é e onde está o problema? Uma pista pode estar na própria pesquisa Paraná.
O governo Elmano é aprovado por 57% dos cearenses – mais de 22 pontos percentuais acima das intenções de voto para o pré-candidato.
Então, onde está a ponte, que teria de ligar a boa aceitação do governo à perspectiva de mais quatro anos de mandato para o governador?
Acertou quem pensou em comunicação. É lá onde está a engenharaia capaz de transformar Elmano no personagem público central do governo aprovado por 57%.
Por que um governo aprovado não conseguiu construir uma marca?
O gargalo não é somente comunicação. A política também tem participação no quadro geral.
O movimento do ministro Camilo Santana, de saída do MEC, as ressalvas do senador Cid Gomes (PSB) e as críticas do irmão Ivo devem ser considerados.
À sombra, Elmano passou a ter dificuldades para ser percebido como âncora do projeto em curso e condutor da própria reeleição.
Dá para reverter? Claro que sim. Elmano, pessoalmente, é uma figura de bom trato, tem a máquina e muita gente talentosa ao derredor. Há tempo hábil. Mas não será fácil.
De novo. Se Elmano está em pré-campanha, até um dia desses era o único na corrida e chegou a pouco mais de um terço das intenções de voto, como será no afunilamento da disputa, propriamente?
Anotem. Se algo não mudar, o pré-candidato à reeleição terá sérios problemas neste decisivo 2026.
Parafraseando Albert Einstein, é insanidade continuar fazendo tudo do mesmo jeito e esperar resultados diferentes.
Bom final de semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada às segundas, quartas e sextas-feiras.

