
O governador Elmano de Freitas (PT) foi eleito, em primeiro turno, com 54% dos votos, em 2022. Na última sondagem do Paraná Pesquisas, o petista aparece com 34% das intenções para reeleição este ano.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Grosso modo, o chefe do Executivo, natural e sabidamente pré-candidato, encolheu vinte pontos percentuais em três anos.
Como Elmano pretende tirar a enorme diferença? Resposta simples: martelando os resultados positivos do governo e apresentando um bom planejamento para os próximos anos.
Mas isso pode ser insuficiente, o que nos leva à inevitável dependência de aliados, o que cria uma série de variáveis, que poderão determinar o resultado de outubro.
Sabemos que na política existem aliados e aliados. Os petistas – do presidente Lula ao militante anônimo -, vão arregaçar as mangas. Disso não se tem dúvida.
E os prefeitos que formam a imbrincada teia de apoios locais a que o Abolição fia parte de sua força no Estado?
Pois bem. A maioria dos municípios está em petição de miséria e o governo do Estado tem ações relevantes em todos eles. Mas não é tão simples assim.
Choro baixo
Relatos que chegam à Coluna dão conta de muito choro baixo de prefeitos, com demandas reprimidas e promessas não cumpridas.
Questionado, um aliado do governo cita a bilionária quantidade de recursos do Estado, vitaminada pelos últimos empréstimos. Somando 2023, 2024 e 2025, foram R$ 15,2 bilhões.
Investimentos é o mantra do Abolição, em todas as áreas, com destaque para segurança pública, saúde e assistência social, entre várias outras.
O chá de realidade, porém, impõe que o Palácio faça mais, em ações coordenadas junto aos gestores e aliados municipais.
De preferência, com compromissos mais claros, exequíveis e de curto prazo – antes que o fator Ciro Gomes (PSDB) tranforme-se em movimento.
Sendo mais claro. Com exceção dos convertidos fervorosos, surpreenderá ninguém se prefeitos Ceará a dentro começarem a atravessar a rua, caso o cenário se mantenha ou se agrave.
Prefeito costuma ter afiado instinto de sobrevivência. Só perde para vereador e deputado – estes também precisam ser contemplados.
Pires na mão
É urgente o Abolição atuar diante do sentimento de cobrança de aliados, valorizá-los e mostrar que ações concretas podem ter mais peso do que a expectativa de poder da oposição.
Foto e bajulação em rede social, ao lado do governador, são facilmente esquecidas, se o pires na mão continuar vazio e a pressão da população se mantiver ou aumentar.
Lembremos que prefeitos e vereadores vão prestar contas com o eleitor daqui a dois anos, quando o braço deles estiverem na seringa.
Há exatos vinte anos, assistimos a um filme muito parecido: governo bem avaliado, uma reca de prefeitos em volta e, mesmo assim, derrota no primeiro turno.
Estamos quase em fevereiro. Como aqui já dito, há tempo hábil para reverter a situação. Mas isso não acontece por osmose – sem gastar muita energia.
Poder simbólico
A política não é feita apenas de ação. O simbolismo também costuma afetar os processos, fazendo uma espécie de alquimia no inconsciente coletivo.
Por isso, para além da força – ou não -, dos prefeitos, há lideranças de muito prestígio no Ceará, com quem o governador Elmano poderá contar.
Atenção. Isso ajuda muito, mas não define eleição.
Boa semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada às segundas, quartas e sextas-feiras.
