
A ida dos governadores Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS) para o PSD tem potencial de mexer, profundamente, com os pré-palanques no Ceará.
Siga o Poder News no Instagram
Quem é Erivaldo Carvalho
Como aqui já dito, a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Estado depende de apoios musculosos – sem isso, é aventura.
O PSD é uma das opções, assim como o PL e a federação União Progressista (União Brasil-PP).
Ocorre que as conversas com o PL estão pausadas e os rumos da federação é uma incógnita – o que aumenta o peso do PSD.
Filiado ao fantasma PSDB, Ciro poderá, em um cenário provável, não contar com o apoio do União Brasil-PP e ficar somente com o PL.
A coligação PSDB-PL é a ideal para os governistas. Todos, sem exceção, já pregam na testa de Ciro a pecha de bolsonarista – será um dos mantras da campanha.
Com apoio do PSD, Ciro teria como diluir parte do desgaste e se apresentar como um candidato do centrão.
Palanque presidencial
Com Caiado e Leite, o PSD conta, agora, com uma trinca de governadores – Ratinho Jr. (PR) é veterano na legenda.
O acordo declarado entre os três – todos pré-candidatos a presidente da República -, é por apoio mútuo. O indicado será apoiado pelos demais.
O movimento está sendo visto como resposta à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O clã prefere perder a eleição a passar o bastão.
Voltando ao PSD. Com projeto presidencial, o partido precisará de palanques nos estados – no Ceará, seria, a preço de hoje, o de Ciro.
Figura nacional, o ex-governador do Ceará tem interlocuções livres com a cúpula do PSD, controlada por Gilberto Kassab (SP).
No Ceará, a sigla é presidida pelo experiente Domingos Filho – ex-candidato a vice-governador na chapa de Roberto Cláudio (então no PDT, hoje União), em 2022.
Como se sabe, há quatro anos, Ciro foi o grande fiador da chapa RC-DF.
Configuração mudou
Antes da filiação dos governadores, pairava a ideia de que o PSD poderia liberar os diretórios nos estados. A configuração mudou.
Domingos é secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Elmano de Freitas (PT) – provável candidato à reeleição -, mas mantém ambições palacianas.
Há mais um – não menos importante -, ingrediente: a chapa que poderá ser encabeçada por Ciro está com muitos espaços a serem ocupados.
A governista, ao contrário, está abarrotada – muitos ficarão de fora – e Domingos Filho é um bom negociador político.
Estes são os fatos.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada às segundas, quartas e sextas-feiras.
