
A Coluna da última quarta, 28, intitulada Com filiação de governadores, PSD-CE entra no radar de Ciro, segue dividindo opiniões nos bastidores políticos do Ceará.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Um interlocutor considera “muito improvável” que o presidente estadual da sigla, Domingos Filho, interrompa o ciclo governista e passe a apoiar o candidato do PSDB ao Palácio da Abolição.
Outro leitor lembra que o dirigente, secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, é pai de Gabriella Aguiar (PSD), vice-prefeita de Fortaleza. “O Domingos está muito bem acomodado”, diz.
Além de dezenas de prefeitos, o presidente do PSD-CE tem sob influência direta a gestão municipal de Tauá, nos Inhamuns, chefiada pela mulher, Patrícia Aguiar, e o filho, deputado federal Domingos Neto (os dois do PSD).
Em 2022, Domingos Filho foi candidato a vice-governador na chapa de Roberto Cláudio (então PDT, hoje União Brasil). A dupla ficou em terceiro lugar, com pouco mais de 14% dos votos.
Observadores, porém, não descartam que Domingos volte a ocupar a mesma posição, neste já emocionante 2026 – agora, pela ala palaciana. Na média geral, a equação seria a seguinte:
Na cabeça de chapa, o PT de Elmano de Freitas – provável candidato à reeleição -, abdicaria de reivindicar outros espaços majoritários.
Maior partido da base governista, o PSB do senador Cid Gomes faria a primeira indicação: vice-governador ou uma das duas vagas ao Senado.
Segunda maior força, o PSD faria a indicação seguinte. Se Cid apontar o vice de Elmano, Domingos seria candidato ao Senado; se Cid indicar um nome ao Senado, Domingos iria para vice ou a outra cadeira na Câmara Alta.
Esta é a configuração básica, que por óbvio considera Cid com Elmano, o que não é uma certeza monolítica, segundo quem sabe ler as entrelinhas do processo político em curso.
A mesma ressalva pode servir para o atual titular da SDE, de acordo com políticos próximos ao ex-vice-governador do Ceará.
“Isso é público. O Domingos já disse que só não fica com o governo se não quiserem que ele fique”, diz a fonte, em tom enigmático.
Em tradução livre, com pitada de pragmatismo, significa o seguinte: se Domingos Filho não entrar na chapa majoritária de Elmano, ficamos entendidos que o PSD pode ir pregar em outra freguesia.
PSD nacional pode liberar
Nesta quinta, 29, um dia depois da Coluna citada acima ser publicada, veio a notícia de que o PSD nacional poderá liberar os diretórios estaduais.
O PSD tem três nomes cotados para disputar a Presidência da República: os governadores Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS).
Por mais esdrúxulo que seja, a neutralidade do PSD – mesmo com possível candidato ao Planalto -, faz parte da dinâmica de partidos com esse perfil. O centrão sendo centrão.
É muito cedo para cravar, mas o movimento aponta na direção de uma possível terceira via, equidistante da enfadonha e danosa polarização entre lulistas e bolsonaristas.
Mas essa é outra história. O que importa de momento à aldeia cearense é que com a possível liberação, o PSD de Domingos Filho teria uma amarra a menos para definir os rumos em 2026.
Sendo assim e relevante, politicamente – tanto em nível nacional quanto estadual -, o partido de Kassab e Domingos tem potencial para desequilibrar a balança eleitoral de 2026.
Bom final de semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada às segundas, quartas e sextas-feiras.
