
Pragmático e afeito a desapegos de todo tipo para alcançar objetivos, o presidente Lula (PT) antevê dificuldades em seu projeto de reeleição, em 2026.
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Quem é Erivaldo Carvalho
Tanto isso é verdade que o petista está em pré-campanha há dois ou três anos – há quem avalie que o mandatário, desde 2022, nunca desceu do palanque.
Esse é o olho no peixe. O olho no gato olha para a configuração partidária em órbita do Planalto, na iminência da decisão de quem será o candidato a vice-presidente governista.
Se a pergunta fosse feita entre novembro e dezembro do ano passado, a resposta seria um tiro certeiro: o atual vice e ministro Geraldo Alckmin (PSB).
Mas o vento virou com o ano. Neste 2026, Lula está xavecando com o MDB, um amor antigo.
Arauto do partido, Michel Temer foi vice de Dilma Rousseff (PT) por seis anos.
O movimento de Lula pode ser a percepção de que a eleição presidencial será definida pelo centro, onde está o MDB.
Outras forças políticas do espectro político, a exemplo do PSD de Gilberto Kassab e o PP de Ciro Nogueira, também estariam sendo procuradas pelo presidente da República.
Impactos
Uma eventual substituição do PSB de Alckmin na chapa encabeçada por Lula terá reflexos diretos na correlação política.
A primeira delas diz respeito ao atual vice, que confidencia a interlocutores mais próximos o desejo de seguir onde está – ou pedir o pijama da aposentadoria.
O PSB é aliado do PT em 16 estados – inclusive no Ceará. Sem nome de expressão presidencial, a sigla seguiria, mesmo preterida, com Lula – mas não com a mesma empolgação.
Por exemplo: o que o presidente nacional da sigla, João Campos (PE) e o senador Cid Gomes (PSB-CE) pensam da ideia de Lula retirar o partido da chapa?
Para o petista, o fato de o PSB ser aliado histórico facilita os arranjos – quem é de casa pode engolir sapo, diferentemente de potenciais aliados.
Na hipótese de o PSB ser substituído, a tendência entre MDB, PP e PSD é este último ter mais chances de emplacar o vice de Lula.
O MDB tem muitas amarras estaduais – o que dificulta muito o processo; o PP não tem ficha para tanto. As duas questões nos leva ao PSD.
Mas o partido controlado pelo Kassab tem três pré-candidatos a presidente – Ratinho Jr. (PR), Ronaldo Caiado (GO) e Eduardo Leite (RS), lembraria algum incauto.
E o Kassab com isso!? Se fosse empecilho, o PSD não teria três ministérios no governo Lula: da Pesca, da Agricultura e das Minas e Emergia.
O PSD tem, entre seus filiados, 6 governadores, 1 vice-governador, 891 prefeitos, 508 vice-prefeitos, 5.624 vereadores, 63 deputados estaduais, 42 deputados federais e 16 senadores.
É, hoje, o maior, mais estruturado e capilarizado grupo político do País.
É nesse patrimônio que o presidente Lula, para ter vida eleitoral menos complicada em 2026, pode estar com os dois olhos grudados.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.
