
Uma eventual candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Estado é – ou era -, a principal variável das eleições estaduais de 2026 no Ceará.
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Quem é Erivaldo Carvalho
“Meu juízo diz para eu não ser candidato, mas meu coração está balançado”, deve ter sido uma das frases mais badaladas na crônica política neste final de semana.
Muitos ouviram, leram, interpretaram e escreveram “desistência” na fala de Ciro.
O ambiente era Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, onde o ex-governador foi homenageado com a Comenda do Mérito Legislativo.
O que deveria ser um apoteótico início de caminhada rumo ao Palácio da Abolição pode ter virado um grande balde de água gelada na cabeça da oposição.
No mesmo cenário, o tucano disse que está ajudando a construir um “movimento que liberte o Ceará” do atual modelo político, liderado pelo PT.
A política detesta dúvida
Aqui não se pretende ensinar Pai Nosso a vigário, mas macaco velho que é da política, Ciro sabe do exato alcance das palavras dele.
A frustrante declaração do tucano suga, de cara, a energia de conversas partidárias entre potenciais aliados.
Isso também vale para apoios estruturais de campanha – financiamento, no bom português.
No médio prazo, a fala do tucano pode anestesiar a militância que vinha se formando em torno do movimento a que ele se refere.
Por último, mas inigualavelmente relevante: se a indefinição de Ciro se mantiver, Elmano terá diante de si uma larga e bem pavimentada avenida.
Sendo mais claro. Sem o candidato do PSDB, – visível incômodo político para o Abolição -, Elmano será o candidato, sem uma fagulha de dúvida, e poderá ser reeleito já no primeiro turno. Ponto.
Tudo isso porque a política detesta dúvida.
O raciocínio é simples. A expectativa de poder com Ciro governador impulsiona o ambiente. O desencanto com a desistência da candidatura esfria o café da oposição.
Quem quer diz que quer
Famoso por ser peixe político – morre pela boca -, Ciro foi Ciro em Juazeiro e pode ter jogado uma rede de arrasto no enxame de pargos e piabas oposicionistas.
Mas, a bem da ponderação, devemos considerar que a fala do ex-governador não é definitiva. Ainda não dá para cravar.
Pelo que disse, Ciro está numa batalha interna, “entre o juízo e o coração”, que alimenta o dilema de ser ou não ser candidato.
Aqui vale, porém, a paráfrase de um adágio da sabedoria popular: “Quem quer diz que quer; quem não quer inventa desculpa”.
A grande ironia
Vejamos quanta ironia: setores da oposição e imprensa começaram fevereiro especulando sobre Camilo e alimentando discórdia na base governista.
O Carnaval ainda nem chegou e Elmano está no grid de largada – aguardando o sinal verde -, e a bolha oposicionista talvez nem apareça na pista, por falta de piloto.
Boa restante de domingo.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada, regularmente, de segunda a sábado. O texto acima é de edição extraordinária
