
A semana chega ao fim com a expectativa sobre o desfecho da relação política entre o senador Cid Gomes (PSB) e o ministro da Educação, Camilo Santana (PT).
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Quem é Erivaldo Carvalho
Anunciados pelo governador Elmano de Freitas (PT) para coordenarem a campanha dele à reeleição, Cid e Camilo estão com relações estremecidas.
Governador do Ceará por oito anos (2007-14), Cid lançou e apoiou Camilo, que também governou o Estado por dois mandatos seguidos (2015-22).
Por que isso é importante? Porque o desfecho entre os dois ex-governadores tem potencial de definir quem será o próximo. Acompanhe.
O ponto de atrito mais visível entre os líderes é a pré-candidatura do deputado federal Júnior Mano (PSB) ao Senado.
Apadrinhado por Cid, o parlamentar estaria sendo vetado na cúpula do Palácio da Abolição.
Em recente entrevista, o pré-candidato ao Senado destacou a força do PSB – detém o maior número de prefeitos no Estado – nas eleições deste ano.
Há outros fatores, como a conhecida crítica de Cid ao aparente instinto de hegemonia do PT no Ceará.
Interlocutores da Coluna especulam que Camilo focará nas articulações no Estado, a partir de abril, com o objetivo de dar o aval final sobre a formação da chapa majoritária.
Desdobramentos
Jogador de xadrez político, Cid confirmou, nos últimos dias, que está à disposição para coordenar a campanha de Elmano, se esse for o entendimento do grupo.
O vídeo com a fala de Cid foi muito bem recebido entre governistas – inundou as bolhas aliadas, inclusive.
Os bastidores, porém, leem a posição de Cid como um recado: ele não estaria disposto a apoiar outro nome, a não ser o do atual governador.
Aqui o contexto fica um pouco mais sensível, na perspectiva do projeto de reeleição de Elmano.
Um eventual rompimento entre Cid e Camilo, aqui e ali ventilado em conversas reservadas, poderia ser fatal para o PT, que projeta mais quatro anos de poder no Ceará.
Num cenário menos ruidoso, ainda restaria a difícil coexistência entre cidistas e camilistas em uma campanha eleitoral que promete ser difícil e imprevisível.
Não seria a primeira vez que os chamados corpo mole, fogo amigo e até boicotes comporiam parte do universo da caça ao voto entre governistas.
Isso ajuda a explicar por que aliados de Camilo e Cid dizem que ambos fazem parte do mesmo projeto, rasgam elogios ao senador do PSB e defendem a reeleição dele.
No último ano de mandato, Cid afirma, categoricamente, que não pretende tentar reeleição.
Aposta entre ciristas
Cid faz parte de um quarteto familiar que milita na política partidária no Ceará.
Ao lado dele estão o ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes, e a deputada licenciada e secretária estadual, Lia Gomes – ambos do PSB.
Na outra ponta está Ciro Gomes (PSDB), citado como pré-candidato pela oposição à sucessão de Elmano.
Por que isso é importante, parte 2? Porque os rumos que Cid tomar terão impactos diretos na provável candidatura tucana.
É essa, inclusive, a aposta entre muitos ciristas.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.
