
Se você, caro eleitor e/ou pré-candidato, pensa que sabe tudo sobre campanhas eleitorais, marketing político, candidaturas etc e tal, não precisa seguir a leitura desta Coluna.
Porém, se é daqueles que considera que viu ou fez tudo certinho e o resultado foi um desastre ou ganhou somente experiência, esse texto é para você.

Quem é Erivaldo Carvalho
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Todo bicho de orelha que trabalha, estuda ou analisa o jogo do poder se considera um papa no assunto. Sai por aí estufando o peito ou de salto alto – e sempre encontra quem acredita e paga bem por isso.
Por isso a provocação do título “Como perder uma eleição”, porque como ganhar todo mundo já sabe (contém ironia). Vamos lá.
A lógica é simples: há uma série de conceitos e sinais que identificam uma candidatura fadada ao fracasso – isso serve para disputas majoritárias e proporcionais.
Bajuladores
Um dos primeiros pontos está entre os membros da própria equipe. Se você quiser perder uma eleição, de cabo a rabo, cerque-se de bajuladores. É batata.
Todos sabemos que elogios fáceis e fartos massageiam o ego – político tem de sobra -, mas criam cortina de fumaça. O resultado é conhecido.
Narrativa e emoção
Em política, interpretação vale mais do que fato – no mundo do marketing digital, principalmente.
Sua campanha irá de mal a pior quando houver uma grande quantidade de postagens, sem uma linha condutora que transmita sua mensagem.
Sem narrativa, o feed vira ruído. No máximo, vai aborrecer o potencial eleitor. No final do dia, você agregou zero engajamento. Patinou feio.
Outra dica de que o seu fracasso se aproxima: sua campanha, mesmo endinheirada, é sem emoção. Pouquíssimos eleitores votam por promessas técnicas e gráficos bonitos.
Se é esse o seu caso, prepare-se para o pior.
Se seu consultor não fala sobre estratégias que trabalhem sua rejeição e o que de positivo as pessoas identificam em você, demita-o – ou afunde com ele.
Mais um sinal de que sua vaca está indo para o brejo numa campanha eleitoral é sua equipe não tocar nas dores do eleitor.
Sua campanha não fala, por exemplo, de medo e esperança? Está claro que você vai perder.
Constância, confiança e voto
Muito cedo se aprende na comunicação que audiência é hábito. Se você é um candidato que não entende isso, está no lugar errado e a derrota não tardará.
Se sua equipe não tem disposição de construir estratégias de comunicação para ocupar o espaço mental e emotivo do eleitor, mande todo mundo para casa.
Campanha é você e uma centena de outros candidatos querendo fisgar o mesmo coração e a mesma mente.
Sem repetição de mensagens emotivas não se cria familiaridade. Sem familiaridade não se constrói confiança. Sem confiança, sem voto.
Silêncio
Ainda. O silêncio em política só é mensagem para grupos muito seletos. Portanto, há grandes chances de você não ser um deles.
Então, se sua candidatura enterra a cabeça na areia no primeiro contratempo, a política não é seu lugar.
Campanha é timing. Reação atrasada alimenta crises e abraça resultados amargos. Seu silêncio, sua derrota.
Por último – por enquanto. Acorde cedo. Durma tarde. Chegue na hora. Comunique-se. Seja proativo. Lidere. Dê exemplo.
Por que seu comportamento, enquanto pessoa e candidato, importa? Porque se sua equipe não comete os erros acima e a derrota está vindo a galope, o problema pode ser você.
Nesse caso, não há consultor de comunicação política que dê jeito.
Repense, mude ou desista.
Bom final de semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

