
Experiente e sempre atenta aos movimentos internos e externos do partido no jogo político estadual, a ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), sinaliza trocar a legenda dela pelo Psol.
Lá, a hoje deputada federal teria espaço na chapa majoritária para disputar o Senado, ao lado do provável candidato ao governo do Estado, Jarir Pereira (Psol).

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É legítimo o movimento de Luizianne. No PT, a parlamentar vem perdendo espaço a cada ciclo eleitoral. Há relatos de muitas dificuldades dela em acessar a cúpula do Palácio da Abolição.
A deputada ensaiou pré-candidatura ao Senado pelo PT este ano, mas foi engolida pela ciranda de nomes que já orbitam o governo. A base aliada já tem nomes demais – alguns, competitivos.
O PT do Ceará – e de Fortaleza, principalmente -, deve muito à deputada Luizianne. A recíproca é verdadeira. Mas não é disso que se trata. É sobrevivência política.
Eleita para o terceiro mandato em 2022, a deputada tirou 182.232 votos, quando o quoeficiente eleitoral – espécie de média de votos válidos pela quantidade de cadeiras -, foi 232 mil.
Para 2026, devido ao aumento vegetativo do eleitorado, a média deve girar entre 230 mil e 260 mil votos – e Luizianne não faz o melhor mandato de sua longeva carreira política.
Considerando-se os fatos acima, Luizianne vê no Psol a possibilidade de se manter em Brasília, a partir de janeiro de 2027. Mas não será tão fácil – nunca é.
O partido já conta com pelo menos três pré-candidatos a federal: o veterano Renato Roseno, o bom vereador Rafael Biologia e a pedagoga Zuleide Queiroz.
O partido elege mais de um federal? Dificilmente. Daí a opção Senado apresentada pela direção do Psol à ex-prefeita de Fortaleza.
Esse é o acerto – o que também não deixa de ser uma incógnita.
Toffoli deveria preocupar Lula
Imorríveis nos poderosos circuitos de Brasília mesmo quando aposentados, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) da ativa está desmoralizada perante a opinião pública brasileira.
Que o digam a reação corporativista da Corte para proteger Dias Toffoli e a fúria vingativa contra a Polícia Federal, no escabroso episódio envolvendo o ministro na máfia financeira do banco Master.
Toffoli está afundando o STF – somente os senhores das cadeiras caramelo parecem não perceber. Mas vêm desdobramentos por aí.
Pior para o governo Lula, a quem poderá ser debitada parte do desgaste. Por quê? Porque é visível o toque de bola institucional entre Judiciário e Planalto – quando é conveniente para este último.
Sem esquecer que foi ideia de Lula a indicação do então advogado-geral da União para o Supremo, em 2009.
Tanto que o petista, cabreiro, já lavou as mãos com o ex-pupilo.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

