
A decisão do ministro Gilmar Mendes (STF) desta sexta-feira, 27, suspendendo quebra de siligo de empresa ligada ao colega Dias Toffoli, não chega a surpreender.
O Habeas corpus é mais um ato na cada vez mais insustentável situação da Corte – desta vez, contra a CPI do Crime Organizado, em andamento no Senado.

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Para além da blindagem de Toffoli – sabe-se lá de quê os togados têm medo -, Gilmar entra na pré-campanha da direita, em pleno ano eleitoral.
Dez em cada dez eleitores de todo o Brasil vinculam a políticos conservadores e reacionários as críticas ao funcionamento do Supremo Tribunal Federal – supostos abusos, forma de ingresso e vitaliciedade etc.
Os ataques chegam, inclusive, à raia da insubordinação institucional, como temos visto em falas mais exaltadas de deputados federais e senadores – com algumas das quais é difícil concordar.
O fato é que a direita e extrema direita brasileiras dizem ter convicção de que o STF é um puxadinho do Palácio do Planalto.
Já a esquerda passa longe dessa pauta, que movimenta a opinião pública nacional.
Pasmem, excelências! O instinto de autodefesa – indo um pouco além, de sobrevivência do atual sistema apodrecido -, do STF acontece num plenário composto por maioria indicada pelo lulopetismo.
A saber: Cármen Lúcia – Lula, 2006; Dias Toffoli – Lula, 2009; Cristiano Zanin – Lula, 2023; Flávio Dino – Lula, 2023; Luiz Fux – Dilma Rousseff, 2011; Edson Fachin – Dilma, 2015.
Por que isso acontece? O motivo é pouco nobre. O STF está tão engolido pelo despudor legal que teve de mandar às favas regramentos e preceitos supremos previstos no figurino.
Quem os colocou no navio é o de menos, quando a embarcação está afundando. O foco é o bote salva-reputações, patrimônios e poder.
Direita está surfando
Melhor para militantes da direita e extrema direita, que nadam de braçada na lambança jurídica em que se transformaram as turvas águas constitucionais do País.
Para não ir muito longe, vejamos personagens que estão sorrindo de orelha a orelha com a desavergonhado espírito de porco – não é “corpo”, é porco mesmo -, do STF.
O deputado André Fernandes (PL) está puxando ato para este final de semana em Fortaleza; o senador Eduardo Girão (Novo) tem no STF um de seus focos.
Junte-se à dupla o pré-candidato ao Senado, ilustre advogado Cândido Albuquerque (sem partido), que igualmente mira em narrativas que têm como pano de fundo e objeto a disenteria da Suprema Corte.
De novo. O que o trio tem em comum? Está surfando na desmoralização do STF.
Cabos eleitorais
Em síntese e na prática, a maioria dos guardiões da legalidade nacional comporta-se – consciente disso ou não -, como cabos eleitorais da direita brasileira.
Depois não reclame se a próxima safra senatorial – 54 das 81 cadeiras estarão em disputa, em 2026 -, for composta, majoritariamente, de direitistas – com ministros na mira.
Para piorar um pouco: o governo Lula, que quer e precisa de maioria no Senado, não sabe o que fazer com o atoleiro em que se meteram os senhores das cadeiras caramelo.
Vale lembrar que uma das atribuições do Senado é sabatinar, aprovar ou não indicados e destituir ministros do Supremo.
Por ora, não se sabe se chegaremos ao ponto de processar, julgar, condenar e retirar de circulação integrantes do STF.
Mas não se discute que o comportamento dos integrantes da Corte vai render voto para a direita.
Isso vai.
Bom sábado.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

