
Este final de semana foi marcado pela reaproximação entre o senador Cid Gomes (PSB) e o ministro Camilo Santana (PT).
Até então os ex-governadores estavam distanciados, o que era visto nos bastidores como risco político para o projeto em andamento.

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Como aqui já dito em diferentes ocasições, Cid é o ponto de equilíbrio no arco de aliança que dá sustentação ao Palácio da Abolição.
A relevância do senador na base dá-se não somente pela liderança consolidada no Estado.
Na outra trincheira está o pré-candidato a governador pela oposição Ciro Gomes (PSDB) – o mais beneficiado, direto ou indiretamente, na hipótese de Cid romper com Elmano e Camilo.
As divergências entre os dois vão da indicação do deputado Júnior Mano (PSB) ao Senado – nome de Cid -, à saída de Camilo do MEC a tempo de ficar disponível para candidatar-se a governador.
Cid afirmou, reiteradas vezes, nos últimos meses, que tem compromisso com a provável candidatura à reeleição de Elmano.
Janela partidária
Na próxima quinta-feira, 5, será aberta, oficialmente, a janela partidária – deputados federais e estaduais podem trocar de partido sem risco de ficarem sem o mandato.
O prazo da janela vai até 4 de abril – Sábado de Aleluia, universalmente conhecido como “Sábado de Judas, o Traidor”.
Tradições à parte, o período é um movimento para se acompanhar de perto, tendo em vista o cenário de paz armada entre algumas das mais importantes lideranças governistas do Ceará.
Historicamente, além de reconfigurarem parte das forças políticas, os rearranjos da janela partidária fortalecem alguns grupos e esvaziam outros.
Elogios mútuos
A coexistência entre os vários subgrupos da base de Elmano nesse período de turbulência vai dizer muito sobre a montagem do palanque e a campanha eleitoral, propriamente.
Até lá, fica a incógnita sobre os rumos dos entendimentos defitivos entre Cid e Camilo – do que poderá depender, repetimos, o andamento do projeto.
Ciceroneados por Elmano, Cid e Camilo rasgaram elogios, mutuamente, durante evento de agenda administrativa do governo do Estado, na área da educação.
Os afagos públicos entre os dois líderes não poderiam ter sido em município mais sugestivo: Pindoretama, conhecida como “Capital da Rapadura” – é doce, mas não é mole.
Quem disse que política não é uma iguaria?
André: “Nada definido”
Em meio a especulações, boa notícia para governistas vem da trincheira adversária.
Neste domingo, 1º, o presidente do PL, deputado federal André Fernandes, disse que “não tem nada definido” sobre apoio a Ciro.
O dirigente lembrou que as conversas sobre a formação do palanque da opsoição no Estado estão suspensas e que a posição virá “no momento oportuno”.
Maior bancada federal eleita em 2022 – o partido conquistou 99 cadeiras – o PL é peça-chave para o palanque de Ciro, em se tratando de tempo no rádio e TV, fundo eleitoral e capilaridade política.
Suplementar
Uma tripla coincidência, se quisermos definir assim, chamou a atenção nas eleições municipais suplementares, aplicadas pela Justiça Eleitoral neste domingo, 1º, em três municípios cearenses.
Em Potiretama, foi eleita Solange Campelo (PT); em Senador Sá, Sabrina do Bel (PP) será a próxima prefeita e, em Choró, Paulino George (PSB) foi o vitorioso.
Os resultados têm algo em comum: os eleitos são dos mesmos grupos políticos que tiveram os gestores cassados pela Justiça Eleitoral.
Algo do tipo já tinha acontecido em outubro do ano passado, quando Joel Barroso (PSB), filho do prefeito cassado Braguinha, ganhou a eleição em Santa Quitéria.
Boa semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

