
Está chamando muito a atenção o silêncio dos principais aliados do governo do presidente Lula (PT) em relação ao pré-candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL).
O comportamento não é do feitio do grupo que há anos está em pré-campanha. Principalmente, depois que as últimas pesquisas mostraram empate técnico entre os nomes do PT e PL.

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A explicação é simples. O PT vê chances de reeleição de Lula no confronto com o herdeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro – inelegível, condenado, preso e doente.
Polêmicas não faltam ao currículo de Flávio. A mais grave que veio a público foi o suposto esquema de rachadinha – desvio de salário de servidores do gabinete dele. A denúncia foi arquivada.
O 01 comprou uma casa de luxo por R$ 6 milhões – caso até hoje mal explicado -, teve movimentação financeira atípica em loja de chocolate e condecorou miliciano na Assembleia do Rio.
O submundo da política deve ter muito mais do que isso na linha de produção de filmetes para a campanha eleitoral.
O principal ativo, porém, ainda é o sobrenome de Flávio, que segue causando devoção e asco na opinião pública nacional – e é onde o PT deverá investir.
Lula já afiou o discurso da defesa da democracia, via tentativa de golpe de Estado do 8 de Janeiro, e também já tem pronta a retórica da soberania nacional – dois presentes ao PT do governo Bolsonaro.
Desincompatibilização
Mas é muito cedo para o lulopetismo abrir a caixa de ferramentas contra Flávio. Estamos a quase um mês da data limite para a desincompatibilização. Até lá é aguardar o adversário consolidar-se na pré-corrida.
Não interessa ao PT outro nome que não seja da linhagem dos Bolsonaro. Um eventual derretimento pós-ataque pode acionar a direita a embarcar em outro pré-candidato.
É difícil não projetar, por exemplo, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) tenha mais chances de derrotar Lula. Mas esse debate, por ora, ficou secundário.
Correndo por fora ainda há os governadores Ratinho Jr. (PSD-PR), Ronaldo Caiado (União-GO) e Romeu Zema (Novo-MG). Essa também é outra história.
Há, ainda, os escândalos de momento, que fazem a Praça dos Três Poderes, em Brasília, tremer, e que ameaçam chamuscar Lula. Por exemplo, o caso INSS/Lulinha, para ficarmos somente neste.
Rejeições recordes
Voltando ao provável confronto direto entre Lula e Flávio. Os dois estão batendo recordes de rejeição – com a diferença de que quase tudo já está precificado, no caso do petista pré-candidato à reeleição.
Isso pode significar que no quente da campanha, quando algumas denúncias contra Flávio forem requentadas e outras possam ser levantadas, ele fure o teto da própria repulsa eleitoral.
Muito indica que a corrida presidencial deste ano, a exemplo das últimas duas, pelo menos – 2018 e 2022 -, será uma disputa pela menor rejeição.
O menos repelido terá mais chances de vitória.
Para o PT, portanto, reeditar a polarização, agora com um descendente do clã, continua sendo uma boa estratégia.
Isso ajuda a explicar porque, por enquanto, o senador pelo PL-RJ está sendo poupado pelo PT.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

