
Nunca na história deste país – e do estado -, relações familiares tiveram tanto impacto como no processo eleitoral de 2026.
Dos luxuosos restaurantes de Brasília a botecos populares dos rincões cearenses, é difícil a conversa sobre política não começar, terminar ou ser incrementada com a menção a algum parente.

Quem é Erivaldo Carvalho
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Na Capital Federal, os Três Poderes têm em comum o fato de pelo menos um familiar de poderoso do Executivo, Legislativo e Judiciário está enrolado com denúncia. Vejamos.
“Lulinha”, filho do presidente Lula (PT), está no foco da CPMI por suspeita de atuar como lobista para a o “Careca do INSS”. O herdeiro movimentou R$ 20 milhões nos últimos quatro anos.
Do outro lado da Praça, Alberto Alcolumbre, irmão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (Republicanos-AP), está na mira da PF, por suposto esquema no fundo previdenciário do Amapá.
No Supremo não está diferente. O ministro Alexandre de Moraes ainda não explicou direitinho a relação contratual da mulher, Viviane de Moraes, com o Banco Master.
A propósito de banco, Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, está preso, por suspeita de participação na bilionária fraude financeira.
Para completar, o ex-banqueiro mafioso manteve conversas reveladoras com a namorada sobre a atuação dele em gabinetes da cúpula da República.
Affair não é parente, mas cunhado, segundo o Código Civil Brasileiro, é – ao contrário do que diz o ditado popular.
É quase impossível o processo eleitoral presidencial de 2026 passar incólume por estas e outras teias familiares como extensões do poder.
Também lembrando que um dos pré-candidatos ao Palácio do Planalto é Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair – os dois são do PL.
Como aqui já dito, o clã prefere correr o risco de perder a passar o bastão.
Relações locais
No Ceará, é seguro afirmar que o desfecho da disputa pelo Palácio da Abolição passa pelas relações entre os ex-governadores e irmãos Ciro e Cid Gomes.
O senador pelo PSB e o tucano estão rompidos – segundo Ciro, por circunstâncias que “parecem insuperáveis”.
Pré-candidato à reeleição, o governador Elmano de Freitas (PT) tem a palavra de Cid sobre apoio à tentativa de recondução do petista.
Mantido o cenário, Ciro e Cid vão disputar voto em palanques adversários.
Não mantido, tudo pode acontecer – e isso passa pelos laços familiares entre os irmãos.
As relações políticas e familiares no Estado estendem-se a prefeitos e parlamentares.
Não são raros os casos de revezamento, ampliação dos tipos de mandato ou nomeação para órgãos públicos entre marido e mulher, pai e filho, mãe e filha e outras modalidades.
Esse é o lado bom. Há, ainda, as relações extraconjugais, que animam os bastidores – e que costumam destruir lares, casamentos e nacos de poder.
Mas isso não é da nossa conta. Ou é?
Bom sábado.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

