
O fato limpo, seco e escorrido na banha é que, na cotação do dia, não se sabe nem quem serão os candidatos a governador do Estado do Ceará em 2026. Imagine-se para o Senado.
O cenário atual é muito mais do que o clichê ‘o jogo está em aberto’. A partida sequer começou. Nem escalados os times foram.

Quem é Erivaldo Carvalho
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Assim como tantas outras, essa disputa não será tão simples assim, como tentam fazer parecer alguns pré-candidatos – baseados em pesquisas do mês de março.
Isso ajuda a esclarecer, inclusive, porque há tantos desencontros entre as listas de “senadores eleitos” e os resultados das urnas.
Vejamos os exemplos a seguir, sugeridos por um atento colaborador da Coluna.
Eunício, Tasso e vários outros
Em 2018, o então presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (MDB), estava com a eleição batida. Foi derrotado pelo novato Eduardo Girão, do extinto Pros.
Oito anos antes, 2010, o Ceará surpreendeu-se com a derrota de Tasso Jereissati (PSDB) – foi atropelado por José Pimentel (PT).
No pleito de 1986, o advogado, professor e jornalista Cid Carvalho (MDB) ganhou do favorito Cesar Cals (PFL) – candidato à reeleição, ex-governador e ex-ministro.
Cid foi eleito ao lado de Mauro Benevides (MDB), que naquela corrida eleitoral conquistaria o segundo mandato de senador pelo Ceará.
Na primeira, em 1974, o emedebista derrotou Edilson Távora, da poderosa Arena de Adauto Bezerra, que ganhou para governador.
Por fim, Carlos Jereissati (PTB) derrotou Tancredo de Alcântara (PSD), em 1962. Então deputado federal, o industrial levou a melhor sobre o candidato do governador eleito Virgílio Távora (UDN).
Disputa peculiar
Além de alguns resultados eleitorais pouco convencionais, a corrida ao Senado no Brasil guarda algumas peculiaridades – próprias do formato eleitoral brasileiro. Vejamos.
O mandato é majoritário – cada bancada paritária de três senadores representa um dos 26 estados e o Distrito Federal no Congresso Nacional -, mas a eleição é proporcional e solteira.
Ou seja, ganha quem conquistar mais votos – este ano, duas das três cadeiras estarão em disputa -, independentemente da chapa à qual o candidato esteja vinculado para o governo do Estado.
STF: cabo eleitoral às avessas
Ainda sobre o Senado. O mal cheiro que exala do caso Master infestou a central de ar do Supremo Tribunal Federal (STF).
Isso, para a maioria dos membros da Corte, que circulam, desorientados, pelos corredores, com a gola da toga nas próprias narinas.
Enquanto isso, aqui fora, no mundo real, pré-candidatos ao Senado da direita e extrema direita fazem a festa com o crescesnte desgaste dos ministros.
Atacar, pedir o impechmente ou até mesmo prisão da dupla Dias Toffoli e Alexandre de Moraes virou ativo de primeira grandeza nesta primeira fase da pré-campanha.
Isso vale, inclusive, para a disputa pela Presidência da Repúbica.
Alguém poderia argumentar que a máfia chefiada por Daniel Vorcaro também pega bolsonaristas. Fato. Mas a crise é sistêmica.
Quando isso acontece, o eleitor mediano volta-se contra o… sistema.
No caso em questão, contra os atuais mandatários – e há, no imaginário político nacional, uma clara percepção de associação entre o STF e o Palácio do Planalto.
É assim que é.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

