
“Não com o meu voto” é expressão cada vez mais usual quando a conversa é sobre disputa presidencial de 2026. Até aqui, é esse o mote que definirá a eleição presidencial de outubro.
Pela última Quaest, no recorte de eleitores que “conhecem e não votariam”, Lula registra 56%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 55%.

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Vejamos o alto grau de risco político. O presidente e pré-candidato à reeleição é desaprovado por 51% dos entrevistados, com intenções de voto que não passam de 41%.
É mais ou menos por essa trilha que Flávio está se consolidando como alternativa ao projeto presidencial em curso, liderado pelo PT.
Quem participa do jogo político ou acompanha campanhas eleitorais de perto sabe como é dificílimo achatar índices de rejeição. E ninguém sabe se Lula e Flávio já atingiram o teto.
Por exemplo: qual a parte do latifúndio de desgaste eleitoral dos casos Master e INSS, por exemplo, caberá ao atual governo? E para a direita e o centrão? Certamente, estes e outros passivos adentrarão o embate eleitoral.
A fadiga de Lula
Mesmo numa projeção animadora, Lula, dificilmente, conseguirá reduzir a rejeição a níveis palatáveis. Os motivos são evidentes – aqui já listados mais de uma vez – e independem dos escândalos da vez.
De novo. O petista sofre a fadiga natural dos governos longevos – considerando-se a chamada Era Lula, que em 2026 chega a 24 anos.
Nem o próprio presidente, grande artista do palco político, consegue disfarçar o cansaço – cada vez mais apontado como fonte de suas repentinas irritações.
Há, portanto, uma calcificação. E se a comunicação do governo está fraquinha, é ingenuidade esperar que grandes bruxarias mudem o quadro até outubro.
O PT sabe disso. Tanto que a grande aposta é tentar fazer com que Flávio seja inviabilizado pela própria rejeição. Há controvérsias se a estratégia funcionará.
O sobrenome do pré-candidato do PL é um punhal político. Um dos gumes o projetou para o empate técnico com Lula. O outro, para o alto índice de rejeição. É polarização o nome disso.
Mas não é tão simples assim. Flávio Bolsonaro pode estar no teto da rejeição, pelos motivos citados logo acima. Ele está se apresentando como moderado, em relação ao pai. Vai funcionar?
Historicamente, é assim o movimento da direita em todo o mundo: começa com personagens toscos, que aos poucos são substituídos por representantes mais tolerantes e tolerados.
As correntes de Flávio
O problema do hoje senador pelo Rio de Janeiro são as correntes que arrasta – novas argolas devem aparecer, ao longo ano eleitoral.
O 01 comprou uma casa de luxo por R$ 6 milhões – caso mal explicado -, teve movimentação financeira atípica em loja de chocolate e condecorou miliciano na Assembleia do Rio.
A denúncia sobre o suposto esquema de rachadinha foi arquivada – o que não remove a mancha do currículo do pré-candidato.
Estes e outros fatores considerados, podemos dizer que as rejeições da centro-esquerda e centro-direita brasileiras capilarizaram a polarização.
Por isso é tão difícil a superação – e nem há sinais de esforço para que isso aconteça.
Bom final de semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

