
A pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao governo do Estado tenta furar o bloqueio formado pelos grupos governista e oposicionista. Não será fácil – apesar dos esforços.
Em Sobral – berço político dos Ferreira Gomes -, o senador Sérgio Moro (Novo-PR) lembrou, neste final de semana, do episódio em que o hoje pré-candidato a governador, Ciro Gomes (PSDB), ameaçou recebê-lo a bala.

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“Ciro Gomes declarou que se eu viesse ao Ceará e a Sobral, viesse à terra dele, eu seria recebido com bala. Pois bem, tô aqui”, desafiou o senador.
O ex-juiz da Lava Jato foi uma das atrações do lançamento da pré-candidatura de Girão. A ex-primeira-dama do País, Michelle Bolsonaro (PL), catapultou a fala de Moro, em vídeo, nas redes sociais.
Nome expressivo na cúpula nacional do PL, a mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro é contra o apoio do partido a Ciro – apesar das tratativas em andamento.
A lembrança de Moro em evento de Girão na terra dos Ferreira Gomes beneficia o Palácio da Abolição.
Por baixo, empurra o tucano para o perfil que o consagrou. Ele foge da pecha e está sendo reapresentado ao grande público como equilibrado.
O tucano costuma aplicar, entre outras vacinas, a ideia de ‘traição’ para se imunizar das mudanças de rota política, que culminaram com o rompimento dele com o PT, há cerca de três anos.
No ato político de Sobral, o pré-candidato do Novo e principais aliados vestiram camiseta com os dizeres “coerência acima da conveniência”.
Não dá para dizer para quem foi o recado.
Mas podemos afirmar que entrar em campanha eleitoral tendo de se explicar não é o melhor dos mundos. Isso serve para qualquer concorrente a qualquer mandato.
A utilidade de Girão
Em 2018, ao ser eleito senador, Girão foi útil ao grupo governista. Ele deixou o então presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB), sem mandato, durante quatro anos.
Na eleição anterior – 2014 -, Eunício, por pouco, não foi eleito chefe do Executivo, no pleito que deu vitória ao então sucessor de Cid Gomes (PSB), Camilo Santana (PT).
Ou seja, a derrota de Eunício em 2018 mudou os rumos da sucessão estadual, quatro anos depois, quando Elmano de Freitas (PT) foi eleito governador no primeiro turno.
Poucas chances
Até aqui, as chances de Girão são remotas. O Novo é um partido pequeno, com restrito tempo no rádio/TV, baixo orçamento e praticamente sem aliados.
O mandato do senador, de curto alcance, também não ajuda nesta pré-temporada.
De maneira geral, a opinião púbica cearense questiona os resultados dos últimos quase sete anos e meio de Girão em Brasília. É o que dizem urnas e pesquisas.
Para prefeito de Fortaleza, em 2024, o senador do Novo ficou em quinto lugar – obteve menos de 15 mil votos – abaixo de sete vereadores eleitos na Capital.
Nas últimas pesquisas, para governador, Girão vem oscilando, com dificuldades de consolidar-se em dois dígitos nas intenções de voto.
Possível impacto
Girão tem uma tarefa muito difícil, como mostra a aparente cristalização de intenções de voto entre Ciro e Elmano.
O senador investe contra os governos do PT, ao mesmo tempo em que tenta disputar o voto de Ciro e atrair a simpatia do PL.
Além disso, o pré-candidato tem um pé no antissistema e é forte crítico do Supremo Tribunal Federal (STF).
Contudo, é uma incógnita o impacto de tudo isso no resultado geral de outubro.
Os votos que irão para Girão serão suficientes, por exemplo, para evitar vitória de um dos adversários dele em primeiro turno?
Boa semana.
A Coluna Erivaldo Carvalho é publicada de segunda a sábado.

